31 August 2008

THE PALLACE OF FOELICITYE


Thomas Digges, 1576



Carl Sagan, Stephen Hawking, Arthur C. Clarke

(2008)

30 August 2008

CITY GHOSTS (VIII)

Lisboa, Portugal, 2008










Amsterdão, Holanda, 2008






(2008)

29 August 2008

BRIAN ENO SOBRE BARRY LYNDON



(2008)
ALGUÉM DISSE "INDIE"?



Sigur Rós - með suð í eyrum við spilum endalaust

Nenhuma banda que se preocupe realmente a sério com o sucesso comercial publica, sucessivamente, quatro álbuns cujas canções são vertidas num idioma imaginário que nem um só fã, de isqueirinho na mão, consegue reproduzir. Nenhuma banda com planos megalómanos de dominar o mundo e enxotar a concorrência de U2, Coldplays e quejandos cai na asneira de intitular um disco (). Nenhuma banda que sonhe trepar pelo que resta dos top-tens do universo, no exacto instante em que, mal disfarçadamente, se murmura que “desta é que vai ser”, se decide a trocar o tal linguajar exótico pelo quase tão hermético islandês e a baptizar o suposto álbum do definitivo “breakthrough” como með suð í eyrum við spilum endalaust. Muito em particular, quando se descobre que, na tradução inglesa, isso significa “with a buzz in our ears we play endlessly”, o que, no caso em apreço dos Sigur Rós, poderia muito facilmente ser uma caricatura sarcástica da identidade sonora do grupo. Claro que tudo isto faria imensamente sentido no interior de uma ética/estética “indie” ortodoxa que tivesse como objectivo último garantir a existência de uma modesta rede de células de fãs clandestinas, esparsamente alojadas entre os sótãos de Reykjavik, os albergues de juventude do Lake District e as garagens de Telheiras.



O que resultou, no entanto, de tal opção? Uma corte de fãs que inclui Brad Pitt, Madonna, Tom Cruise, Natalie Portman, David Bowie, os Metallica, Red Hot Chili Peppers, Foo Fighters, Radiohead e... Coldplay; uma auspiciosa carreira paralela como arquivo potencial de bandas sonoras, na variante-algodão doce, para cinema e televisão; e uma discografia que continha, até agora, o género de música que fundia a estética 4AD reciclada, uma espécie de My Bloodless Valentine e aquilo que se deverá ter escutado nos céus de Aqaba, quando Moisés dividiu as águas do Mar Vermelho. Alguém disse “indie”? Se disse, até pode voltar a repeti-lo agora. Porque með suð, num ensaio razoavelmente conseguido de iludir as expectativas, quase inverte a percepção que tínhamos dos Sigur Rós: muito detalhismo sonoro acústico na descendência directa do que se observava no DVD Heima, uma alma quase pop aqui e ali, a aproximação (em “Gobbledigook”) ao pequeno caos de “kindergarten” dos Animal Collective e (tinha de ser...) ainda um pouco de Moisés-no-Mar-Vermelho em “Festival” e “Ara Bátur” – um épico de nove minutos em versão “thinking man’s Andrew Lloyd Weber”. Prevê-se engarrafamento na “guest-list” de fãs “mainstream”.

(2008)

28 August 2008

"FOR THE WORLD TO BE INTERESTING,YOU HAVE
TO BE MANIPULATING IT ALL THE TIME" (Brian Eno) - II




David Bowie - "Rebel, Rebel"



New York Dolls - "Jet Boy"

(2008)

27 August 2008

"FOR THE WORLD TO BE INTERESTING,YOU HAVE
TO BE MANIPULATING IT ALL THE TIME" (Brian Eno) - I




Roxy Music - "Re-Make/Re-Model"



Roxy Music - "Ladytron"



Roxy Music - "Editions Of You"



Roxy Music - "Virginia Plain"

(2008)

26 August 2008

ALEGRE AMSTERDÃO (I)

Zeedijk (Chinatown), 16.08.08



Originally Hartjesdag (Day of Hearts) was a festival celebrated on the third Monday in August in the Dutch areas of Haarlem and Bloemendaal and in various parts of Amsterdam, particularly around the Haarlemmerplein, in the Jordaan, and in the Dapperbuurt. On Hartjesdag fires were kindled and children collected money. Later it developed itself into a type of cross-dressing carnival, where men dressed as women, and women dressed as men. A typical scene was captured in the oil painting entitled Hartjesdag, by the artist Johan Braakensiek in 1926.





During the German occupation in 1943 the Hartjesdag became prohibited, and after the war it eventually became obsolete. In 1997 a local committee in the Zeedijk, Amsterdam, decided to see if they could revive the tradition. Each year since then, the festival has flourished into a two day event on the 3rd weekend in August.





(2008)

25 August 2008

A LEI DA CONSERVAÇÃO DA MATÉRIA



Stereolab - Chemical Chords

Pode, evidentemente, dizer-se que, agora, é fácil. Mas, de facto, apetece fazer em sentido inverso o caminho-das-pedrinhas que desvenda a lógica da trajectória musical dos Stereolab. Começando, naturalmente, por este Chemical Chords, ponto de chegada em momento daquela glória pop a que uma banda como a de Tim Gane e Laetitia Sadier (e, agora, também, crescentemente do ex-High Llama, Sean O’Hagan) alguma vez poderia legitimamente aspirar: lounge estival efervescente, arranjos de sopros e cordas entre o “easy listening” e o lego-barroco, tudo cirurgicamente dirigido ao objectivo confessado por Gane – escrever “purposefully short, dense, fast pop songs”.



Recue-se, então, passo a passo, nos já quase vinte anos de carreira dos Stereolab. Como diria o também químico Lavoisier, “nada se perdeu e tudo se transformou” nesta aplicação musical da lei da conservação da matéria à estética de composição molecular da dupla Gane/Sadier: da “motorika” do Krautrock às relíquias da electrónica, de Bacharach aos Young Marble Giants, dos Velvets à “chanson”, à sombra tropicalista ou às antevisões “modernistas” de Robert Moog, Esquível ou Martin Denny, tudo acabou por configurar um voluptuoso organismo pop, requintado e sedutor, falso magro, de cérebro bem activo.

(2008)
CITAÇÕES DOS CLÁSSICOS
E OBSERVAÇÕES PERTINENTES

Amesterdão, Holanda, 2008







(2008)

14 August 2008

CIDADES (III)

Sevilha, Espanha, 2008















(2008)
LINHA DE MONTAGEM
(concluindo a revisão)



Beck - Guero

Há duas escolas de pensamento em confronto: segundo uma, Guero será uma espécie de revisão de matéria realizada por Beck onde se podem reconhecer sinais das várias etapas do percurso entre Mellow Gold (1994) e Sea Change (2002); para a outra, trata-se, afinal do (por ela) tão ansiado Odelay II, o regresso "ao melhor Beck" que, entretanto, se teria extraviado. Pelo que me toca, confesso que saltei na cadeira quando, à quarta faixa ("Missing"), tive de me beliscar para não continuar a acreditar que estava a ouvir... Sting! E isso não é uma coisa boa. Não é mesmo. Tal como o próprio Guero. Generosamente, pode argumentar-se que, no Grande Plano do Universo, a todo o músico é, desde o início, automaticamente oferecida a possibilidade de gravar um álbum menos bom, assim-assim ou até mau sem que, no balanço final, isso seja usado contra ele. Pode até invocar-se, por exemplo, o caso de Bob Dylan que, sem deixar de ser considerado genial, excedeu largamente a sua quota de atenuantes. Mas nem uma coisa nem outra deverão servir para mascarar a evidência: Guero é o primeiro álbum sobre o qual alguém deveria ter tido a amabilidade de aconselhar Beck a metê-lo na gaveta. Não tem a aspereza artesanal de Odelay, nem o delirante fogo de artifício de Midnite Vultures, nem a melancolia em plano aberto de Sea Change. Apenas o produto de uma linha de montagem de canções que Beck já deve ser capaz de pôr em movimento a dormir (trata-se só de accionar o botão junkyard-funk-country-blues-hip-hop), razoavelmente desinteressante e — isto já parece mais difícil de explicar — desinteressado, despachado em piloto automático. Há uma boa canção, "Broken Drum", e é tudo. Façamos de conta que nunca existiu.

(2005)

13 August 2008

ELEGANTE PERVERSÃO
(revisão a partir daqui)



Beck - Sea Change

Beck, com Mutations (se decidirmos não incluir o colateral One Foot In The Grave), já tinha gravado o seu John Wesley Harding. A que, procedendo em sentido inverso como nele não poderia deixar de ser, havia feito suceder o seu Blonde On Blonde, isto é, Midnite Vultures. Austeridade e excesso barroco. O paralelismo com Bob Dylan faz todo o sentido: se o que Beck escreve são canções da era pós-sampling, pós-hip hop, se quiserem também, pós-rock, ele e Dylan concentram em si uma tradição musical da América profunda: a música de rua, a matriz rural country e folk, a apetência urbana do rock. Dylan alimentava-se de Woody Guthrie, Cisco Houston, Leadbelly e Hank Williams. Beck não esqueceu nenhum desses mas acrescentou-lhes partículas da memória de Dr. John, James Brown, Tom Jobim, George Clinton, Stockhausen, Cameo, Beatles, Curtis Mayfield, T. Rex, Prince, Captain Beefheart, Barry White e... Bob Dylan. Daí que, de Mellow Gold a Odelay, Mutations ou Vultures, muitos se tenham visto em palpos de aranha para caracterizar o que ele faz. De mutant-folk-machine a surreal-junk-rock, folk-hop ou spastic-future-funk, as designações proliferaram sem nunca, no entanto, acertarem verdadeiramente no alvo. E, agora, com Sea Change, vão, inevitavelmente, voltar a disparar ao lado.



Porque se, acerca do sucessor de Midnite Vultures — essa gloriosa celebração da mais infecciosa promiscuidade estética literalmente "fin de siècle" cujo lema era "mixing business with leather, Christmas with Heather, freaks flock together" a bordo do "goodship ménage à trois" —, a boataria falava de outro retorno à "pureza" das raízes folk/country com ecos de Neil Young e outras luminárias "acústicas", a verdade é que, sendo vagamente isso, não é, de facto, senão outra elegantíssima perversão das regras de um jogo só parecido com esse. Sim, predominam os timbres acústicos, os andamentos são repousados e as atmosferas reflexivas, mas em quase todos os doze temas, mais subtil ou mais obviamente, algo nos arranjos ou no design da encenação instrumental amplifica, desfigura ou contraria aquilo que noutros seria o desgraçadamente previsível álbum-acústico-de-baladas-folk-country: "Paper Tiger" é soturno funk de câmara com sumptuosa orquestra de cordas à maneira de um hiper-Isaac Hayes, "Lonesome Tears" só pode ser descrita como country-expressionista-sinfónico com crescendo final "à la" "A Day In The Life", "Lost Cause" aloja a mais pura candura melódica folk numa moldura de fantasmagorias, distorções e "reverse tapes", "Round The Bend" parece um felicíssimo casamento entre os sublimes ambientes orquestrais de American Gothic, de David Ackles (que Beck, seguramente, nunca ouviu), e a imaterialidade de David Sylvian (que ele, por certo, conhece), "Sunday Sun" ensaia uma quase raga psicadélica algures entre os Traffic e os Nirvana — que afloram de novo em "Little One" — e, de um modo geral, não permitam nunca que as episódicas slide-guitars e harmónicas vos enganem. Beck Hansen é imensamente maior que todos os estereótipos em que o pretendam encarcerar e, venham as marés de que lado vierem, Sea Change é apenas outra desmedida prova disso.

(2002)

12 August 2008

TOM WAITS: AUTOBIOGRAFIA EM PEQUENAS PRESTAÇÕES, DITOS DE ESPÍRITO E SABEDORIA (XXXVIII)



“Eu não era mais estranho do que os outros putos. Simplesmente, cresci sem vigilância. Aos nove anos, fumava dois maços de cigarros por dia. Aos dezassete já me tinha casado e divorciado duas vezes. Agora que tenho filhos, pergunto-me como puderam deixar-me fazer tais coisas, como é que a América me autorizou a ser assim? Mas nasci dela, como dizia o Bukowski. Estamos todos encurralados na nossa própria vida... é impossível sair. Andava à procura do meu lugar. Era o caracol a tentar atravessar a estrada.

(...)

"A verdade é que a maioria das coisas que as pessoas sabem acerca de mim é tudo invenção. A minha vida pessoal decorre nos bastidores. Por isso, aquilo que se ‘sabe’ sobre mim foi aquilo que eu permiti que se soubesse. É como um número de ventríloquo. E é também uma forma de mantermos a nossa vida pessoal em segurança. O que é saudável e essencial. Não sou daquelas pessoas que os tablóides perseguem. É preciso apagar esse cheiro – é como sangue na água para os tubarões. E eles sabem-no e apercebem-se de que estamos de acordo com isso. Não sou desses. Invento cenas. Não há nada que se possa dizer que volte a ter o mesmo significado quando é repetido. Antes de existirem gravações, tudo era submetido à folclorização. Fazíamos todos parte da composição, da evolução e da migração das canções. Esquecíamo-nos de um verso, mudávamos o género ou, se estávamos a cantar para miúdos, eliminávamos um verso menos apropriado... acontece o mesmo com as anedotas – como é que elas chegam até nós? Inverter o percurso e descobrir-lhes a origem, isso é que seria fascinante.

(...)

2006

(2008)
INVERSÃO DE SENTIDO



Beck - Modern Guilt

Após os óptimos Midnite Vultures e Sea Change (mas, agora, Beck faz questão de afirmar que “não se sente especialmente orgulhoso” de várias canções de Vultures e não interpreta um único tema desse álbum em palco), a trajectória de Beck iniciou um notório plano inclinado, com níveis sucessivamente inferiores em Guero e The Information. Se fôssemos a tomar essas duas gravações como termo de comparação para os rituais ocultistas em que se decide a atribuição de estrelas, Modern Guilt, provavelmente, mereceria três. Demonstremos, no entanto, um pouco mais de respeito por quem, sem dúvida, o merece, e, perante o melhor da sua obra, fiquemo-nos pelas duas.



Estes breves trinta e três minutos de música – co-produzida por Danger Mouse aka Brian Burton – invertem, é verdade, o sentido da curva recorrendo ao cruzamento da psicadélia sessentista com sintetizadores atmosféricos, beatboxes virtuosas, colagens e tapeçarias de loops, Beck elocubra eloquentemente sobre teorias da conspiração, invectiva Deus ("If I wake up and see my maker coming with all of his crimson and his iron desire, we'll drag the streets with the baggage of longing, to be loved or destroyed, from a void to a grain of sand in your hand") e desenha círculos de perplexidade existencial mas não são ainda material “vintage” do autor de Odelay.

(2008)

10 August 2008

À LA CROATE



The necktie can be traced back to the time of the Thirty Years' War (1618-1648) when Croatian mercenaries in French service, wearing their traditional small, knotted neckerchiefs, aroused the interest of the Parisians. The new article of clothing started a fashion craze in Europe where both men and women wore pieces of fabric around their necks. In the late seventeenth century, the men wore lace cravats that took a large amount of time and effort to arrange. These cravats were often tied in place by cravat strings, arranged neatly and tied in a bow.

(...)


Louis XIV

In 1660, in celebration of its hard-fought victory over Ottoman Empire, a crack regiment from Croatia visited Paris. There, the soldiers were presented as glorious heroes to Louis XIV, a monarch well known for his eye toward personal adornment. It so happened that the officers of this regiment were wearing brightly colored handkerchiefs fashioned of silk around their necks. These neck cloths struck the fancy of the king, and he soon made them an insignia of royalty as he created a regiment of Royal Cravattes. The word "cravate" is derived from the "à la croate" - like the Croats (wear them). (Wikipedia)

(informação adicional: não possuo um único exemplar do adereço em questão)

(2008)
CITY GHOSTS (VII)

Lisboa, Portugal, 2008













08 August 2008

OLYMPICS, YEAH, RIGHT...



"The early Olympics were also held to be the place where the Greek tradition of athletic nudity was first introduced in 720 BC, either by the Spartans or by the Megarian Orsippus".

(2008)

05 August 2008

AINDA COM MUITO MAIS ATRASO,
MAS NÃO HÁ DÚVIDA QUE VEM A PROPÓSITO...




"The students at Liverpool High have used their school-issued laptops to exchange answers on tests, download pornography and hack into local businesses. When the school tightened its network security, a 10th grader not only found a way around it but also posted step-by-step instructions on the Web for others to follow (which they did).

Scores of the leased laptops break down each month, and every other morning, when the entire school has study hall, the network inevitably freezes because of the sheer number of students roaming the Internet instead of getting help from teachers.

So the Liverpool Central School District, just outside Syracuse, has decided to phase out laptops starting this fall, joining a handful of other schools around the country that adopted one-to-one computing programs and are now abandoning them as educationally empty and worse. Many of these districts had sought to prepare their students for a technology-driven world and close the so-called digital divide between students who had computers at home and those who did not.


... para não falar, claro, nas
aterradoras consequências morais...
(just kidding)


'After seven years, there was literally no evidence it had any impact on student achievement - none', said Mark Lawson, the school board president here in Liverpool, one of the first districts in New York State to experiment with putting technology directly into students’ hands. 'The teachers were telling us when there’s a one-to-one relationship between the student and the laptop, the box gets in the way. It’s a distraction to the educational process'. (...)

Yet school officials here and in several other places said laptops had been abused by students, did not fit into lesson plans, and showed little, if any, measurable effect on grades and test scores at a time of increased pressure to meet state standards. Districts have dropped laptop programs after resistance from teachers, logistical and technical problems, and escalating maintenance costs.

Such disappointments are the latest example of how technology is often embraced by philanthropists and political leaders as a quick fix, only to leave teachers flummoxed about how best to integrate the new gadgets into curriculums. Last month, the United States Department of Education released a study showing no difference in academic achievement between students who used educational software programs for math and reading and those who did not".

(o resto aqui)

(2008)
MESMO COM UNS DIAS DE ATRASO, HÁ SEMPRE
UMA OU OUTRA ABKHAZIA ESCONDIDA
A QUE CONVÉM ESTAR ATENTO...




aqui, aqui e aqui

(2008)
CIMEIRA



Fleet Foxes - Fleet Foxes

Demos como adquirido que, na pop contemporânea, só muito raramente nos defrontaremos com música capaz de provocar em nós aquele sobressalto perante o absolutamente novo e nunca escutado antes. Aceitemos que a persistente enfermidade do insuficiente processo de digestão criativa das referências continua a permitir que, à primeira vista, todas se tornem claramente evidentes. Nessa medida (e apenas nessa medida) saudemos, então, o belíssimo álbum de estreia dos Fleet Foxes, de Seattle, pretexto para uma importantíssima cimeira onde os Beach Boys, The Band, Crosby, Stills, Nash & Young, Fairport Convention e Simon & Garfunkel trocam pontos de vista e partilham experiências.



Sublinhe-se, essencialmente, o contributo dos primeiros participantes referidos, acrescente-se um certo espírito de gospel branco, imagine-se aquilo que, muito imprecisamente, poderíamos designar como “barroco rural” (na verdade, várias das harmonias vocais a quatro partes – a de “White Winter Hymnal”, em particular – empurram-nos bem mais para trás, para o cenário dos Provérbios Flamengos, de Pieter Brueghel, escolhido como capa) interpretado por um coral de Tim Buckleys e Fleet Foxes ficará razoavelmente circunscrito. Tão bom quanto isso tudo, tão suplicantemente devedor de todos eles.

(2008)