30 October 2009

O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (XXXI)

Professor Doutor Joaquim Fernandes



Joaquim Fernandes - juntamente com outros gigantes do pensamento como Eurico Cebolo - é um dos mais bem guardados segredos da Cultura Portuguesa. Pioneiro da investigação ovnilógica desde os anos 70, integrou o C.E.A.F.I. (Centro de Estudos Astronómicos e de Fenómenos Insólitos), organismo que, desde o início, "teve a consciência plena de que a sua progressão seria muito difícil se não possuísse um rigoroso esquema de trabalho, se não o fizesse desapaixonadamente, desobedecendo à lógica e aos saberes da Ciência".


Fundador e director da Revista "Insólito" - na qual, no primeiro número, escrevia, em editorial: "O Insólito começa assim: voluntarioso, humilde, mas capacitado da dúvida que assiste, apto a desafiar o cartesianismo estéril... trilhar o caminho da suspeita... da questão dos OVNI’s à problemática da Parapsicologia... levantamento e evocação da PrimiHistória e pela recolocação do Homem no lugar que lhe compete em relação ao Universo..." -, relativamente às aparições de Fátima, defende o ponto de vista segundo o qual "o fenómeno conhecido como o 'Milagre do Sol'" terá sido, realmente "um disco de metal com luzes equidistantes na periferia, o que se encaixa perfeitamente com a descrição clássica de um UFO em casos à luz do dia".


Actualmente na Universidade Fernando Pessoa - reconhecida de interesse público pelo D.L. nº 107/96 de 31 de Julho e farol da vanguarda académica radical, cujo "Laboratório de Expressão Facial da Emoção" apresentou ao Ministério da Educação, no início deste ano, a proposta de "um programa inovador de literacia emocional" -, o, hoje, Professor Doutor Fernandes, esteve na origem do Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência (CTESC) e, nele, tem dirigido uma "Pós-graduação em Ciências da Consciência", dedicada às "fenomenologias associadas aos domínios do mental, do espiritual e do imaginário criativo", em que, no Plano de Estudos - continuando bravamente a "desobeder à lógica e aos saberes da Ciência" e a "desafiar o cartesianismo estéril" -, se destacam cadeiras como "Razões de uma abordagem nos limites do conhecimento", "A medicina dos dois espaços-tempo", "Swásthya Yoga e hiperconsciência", "Contrologia - o método Pilates de consciência Mente-Corpo", "O imaginário das crianças Índigo", "A escola do sonho acordado: fragâncias de Desoille e Virel", "Mandaloterapia" e "A redescoberta do sexto sentido na condição humana".


De Outros Mundos - Os Portugueses e os Extraterrestres, obra elaborada no âmbito do trabalho desenvolvido pelo CTESC e a ser lançada a 3 de Novembro próximo, coroará o monumental labor intelectual e académico do Professor Doutor, neste ano mágico em que outros eventos científicos de idêntica magnitude - como o "I Congresso Internacional de Sincronização com o Planeta Terra" - distinguiram Portugal no mundo.

(2009)

29 October 2009

WELCOME TO LITTLE PORTUGAL



Sucata. "Carril Dourado". Sucata. Subornos de 10.000€. Sucata. Pequena, média e grande trafulhice. Sucata. Dias de 85 horas. Sucata. Varas. Sucata. Qualquer dia, coelhos. Sucata. "Deslizes". Sucata. Rolexes. Sucata. Estado. Sucata. "Face Oculta" (bar de alterne?). Sucata. "Polvo". Sucata. Peões e penedos. Sucata.

(2009)
HAPPY 40TH BIRTHDAY, INTERNET!



Internet pops champagne on (second) 40th birthday

(2009)
SE O TROLHA DO JARDIM
APRENDESSE ALGUMA COISA,
ESTE ERA UM BOM EXEMPLO
DE COMO SER JAVARDO
COM UMA CERTA PINTA




"Arnold Schwarzenegger, governador do estado da Califórnia, costuma anexar notas pessoais às suas decisões de veto de determinado projecto. Recentemente, num despacho enviado a um membro democrata da assembleia estatal que o tinha criticado no início deste mês, Schwarzenegger ocultou na sua mensagem - aparentemente normal - a expressão 'fuck you'. O destinatário da mensagem era Tom Ammiano, autor de um proposta de lei sobre o Porto de São Francisco, que no início do mês de Outubro criticou Schwarzenegger, tendo-lhe inclusivamente dito que 'lhe beijasse o seu rabo gay' (kiss my gay ass). Dias depois, a resposta de Schwarzenegger, apesar de mais críptica, foi sucinta:



juntando as sete primeiras letras do corpo da mensagem que o governador endereçou a Ammiano rejeitando a sua proposta, forma-se, na vertical, a palavra
'Fuck You'. O porta-voz do governador, Aaron McLear, apressou-se a dizer que se tratou de uma 'coincidência estranha' e que quando um gabinete emite tantos vetos por ano, é natural que isso aconteça. O porta-voz de Schwarzenegger chegou a adiantar que, no passado, já se formaram palavras como 'sabonete', 'poeta' e 'orelha'. Porém, o jornal 'Independent' deu-se ao trabalho de fazer as contas e chegou à conclusão que as hipóteses matemáticas de uma 'coincidência' destas acontecer é de oito mil milhões para uma". (aqui)

(2009)

28 October 2009

QUANDO A CRÍTICA DE MÚSICA RASTEJA
NAS "QUATRO LINHAS" DA FUTEBOLEIRICE




"Faltou a 'Três Cantos' * um Jorge Jesus. Alguém que conseguisse agarrar nas qualidades de três craques e os pusesse a jogar juntos, concentrados num único objectivo. Ora, as jogadas individuais (ou seja, os momentos em que eles actuaram a solo) foram sempre melhores do que o colectivo, onde falhou a táctica e faltaram os automatismos, com cada um a ler as letras dos outros, originando imprecisões constantes e interpretações mais frágeis do que os joelhos de Mantorras. Sonhava-se com um Barcelona. Tivemos de nos contentar com um Real Madrid". (João Miguel Tavares na "Time Out")

A seguir, virão, certamente, as dissertações sobre o futebol total em Wagner e o corte das linhas de passe em Schönberg.

(e, não, não é a degola das vacas sagradas que aborrece)

* concerto de José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto, na semana passada, no Campo Pequeno

(2009)
ENTÃO, ERA AINDA MAIS UMA PERGUNTINHA...



...que, aliás, completa muito bem as outras duas:

"EUA recusam vacina para gripe A usada na Europa: A vacina que está a ser usada em Portugal contra a gripe A não foi aprovada pelos Estados Unidos por conter substâncias na sua composição que podem alegadamente causar danos à saúde dos que a tomam. Trata-se da Pandemrix, vacina aprovada pela Organização Mundial da Saúde e escolhida pela Agência Europeia do Medicamento para ser usada em todos os Estados membros. E em relação à qual o Infarmed garante terem sido feitos todos os testes de qualidade. No entanto, a Pandemrix está a provocar a recusa de muitas pessoas na Alemanha da sua utilização, dando como justificação o facto de os políticos e os funcionários públicos de topo serem preventivamente vacinados com uma outra. O presidente do Colégio Alemão dos Médicos de Família refere mesmo que os 'potenciais riscos ultrapassam os benefícios' e, segundo Michael Kochen, este é um 'teste em larga escala feito à população alemã'" (aqui a totalidade do artigo verdadeiramente inquietante)

Quererão fazer o favor de explicar (mas era explicar mesmo)?...

(2009)
O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (XXX)

Laurinda Alves




"A notícia de uma repórter saudita de 22 anos condenada a 60 chicotadas por falar de sexo numa entrevista na televisão libanesa LBC choca todas as mulheres do mundo, e em especial as que podem exprimir livremente as suas ideias em público ou privado" (aqui)

Claro que choca! E, principalmente, porque a repórter saudita nem sequer andava a assediar crianças com sacos de plástico cheios de vaginas e pénis de borracha.

(2009)

27 October 2009

MAIS UMA MINI-ENCICLOPÉDIA



Dreamtime Blog & Podcast: Commentary Inspired By Bob Dylan's Theme Time Radio Hour

(2009)
O ESPÍRITO DE BING CROSBY


Bob Dylan - Christmas In The Heart

A cinco dias do Natal de 2006, a edição número 34 da Theme Time Radio Hour, de Bob Dylan, abria com Ellen Barkin – a voz "oficial" do genérico inicial - anunciando: “It's nighttime in the Big City, a department store Santa sneaks a sip of gin, mistletoe makes an old man sad, eight reindeer land on the roof of the Abernathy Building”. A grande noite urbana, espaços comerciais, um assalariado mascarado e bêbedo, melancolia, solidão e criaturas da mitologia popular num cenário de ficção cinematográfica. É o que a maioria das festas do calendário religioso tem de melhor: porque primordialmente pagãs, o finíssimo (e, afinal, tão recente) revestimento cristão, resiste mal à erosão do tempo e circunstâncias bem mais materiais e terrenas tendem a ressurgir e ocupar o primeiro plano. Durante uma década (a de 80), Dylan poderá ter-se imaginado "born again", mas americano, contemporâneo e atento à História nunca deixou de ser.


Até no persistente prazer da efabulação que o conduziu a situar a realíssima Sirius XM Radio num inexistente Abernathy Building (dotado de pista de aterragem para renas) rodeado dos igualmente imaginários Studio B, Samson's Diner, Elmo's e Carl's Barber Shop, recorrentes no universo do DJ Bob Dylan. E poderá não ser ainda saber adquirido mas é importante que se vá dizendo como os 103 episódios das três temporadas da TTRH são já parte fundamental da sua obra. Não tanto pela (obviamente importante) missão divulgadora da mais ou menos obscura memória musical americana, mas, principalmente, pelo modo como, entre canções, intervenções de convidados, farrapos de poesia, comentários irónicos, seriíssimos ou meramente informativos, alusões históricas, conversas com ouvintes e outros tantos “themes, dreams, schemes and things of that nature”, o puzzle cultural, mental, social e mítico da nação americana vai emergindo. A dedicatória final do Natal de há três anos era “We wish you a Merry Christmas and a Happy New Year, a pocket full of money and a cellar full of beer”.

















Para o Natal deste ano – e enquanto a possibilidade de uma quarta temporada permanece em suspenso –, Dylan optou, até certo ponto, por repetir a mesma estratégia que deu origem ao último álbum, Together Through Life: se esse era uma potencial emissão da TTRH constituída apenas por criações originais de Bob Dylan, Christmas In The Heart apresenta-o como intérprete de quinze "Christmas songs" clássicas sobre as quais paira muito menos o espírito dos blues e da country do que o de... Bing Crosby. Acerca do qual, convém recordar, em 1985, Dylan afirmou tratar-se de um mestre do fraseado vocal cujas canções ainda, um dia, gostaria de gravar. Delas, estão aqui três – “I’ll Be Home for Christmas”, “Silver Bells” e “Do You Hear What I Hear?” – num reportório essencialmente recolhido nas reminiscências dos Natais do jovem Zimmerman, nas décadas de 40 e 50, no gelado Minnesota. Com um pé no kitsch (dos coros à la Ray Conniff, cortesia das Ditty Bops, à fotografia “Mãe Natal” da pin-up, Bettie Page, no booklet) e outro, inevitável, na América lendária (o lamento da pedal-steel guitar em “Winter Wonderland”, a desbragada polca Tex-Mex de “Must Be Santa”, a quase waitsiana “Silver Bells”), “Christmas In The Heart” é um belo divertimento sazonal por uma boa causa: todos os lucros reverterão para as organizações de combate à fome Feeding America, World Food Programme e Crisis. Woody Guthrie aprovaria.

(2009)
TIM BUCKLEY - "MORNING GLORY"



(2009)
É POR ESTAS E POR OUTRAS QUE, ÀS VEZES,
ATÉ COMPREENDO O SARAMAGO...



(daqui)

O grande bordel de luxo para Lynx pardinus dá pelo nome de Herdade das Santinhas (aqui).

Mas a casa é séria, tem exames médicos e tudo.

(2009)

26 October 2009

COPYCAT



Nunca duvidei que "imitation is the sincerest form of flattery". Por outro lado, a blogocoisa está, desde o início, autorizada a surripiar daqui tudo o que lhe apetecer. Fica bem, entretanto, citar/linkar a fonte. Não o fazer, enfardando posts (e imagens) inteiros e - imbecilmente - assinando-os "saló", é alarvezito e indigente. Se a "assinatura" é mais outra "sincerest form of flattery" em relação ao Ricardo Saló - meu colega e amigo do "Expresso" - posso garantir que ele também não agradece.

Um caso típico de "get a life!"

(2009)
OBAMA HUMILHA PORTUGAL E O MNE NÃO SE PRONUNCIA!


Fotografia de Annie Leibovitz

"Obama family portrait released - First Dog banned from photo. (...) But someone is conspicuously absent. No, we didn’t expect to see Joe Biden in the background making bunny ears. But we did think that the family dog would make the cut".

(2009)
HÁ BICHOS (E PESSOAS) QUE TÊM
O DESTINO ESCRITO NO NOME




Estava a linda fêmea de lince ibérico posta em sossego na civilizada Espanha quando, "no âmbito do programa de criação em cativeiro" da sua espécie - eufemismo para o tráfico de fêmeas felinas -, se vê deslocalizada para a lusa choldra, onde, no espaço de uma mansão da Playboy para gatos grandes, ficará (ela e mais umas quantas) às ordens dos apetites lúbricos dos machos Lynx pardinus. O bordel de luxo fica em Silves. Ela, a pobre gatona, chama-se... Azahar. (aqui)

(2009)
FOLKLORE CENTER IS THE PLACE FOR ME



Tim Buckley - Live At The Folklore Center, NYC, March 6, 1967

É Fevereiro de 1967 e Tim Buckley entra no Folklore Center, no número 321 da Sixth Avenue, onde Izzy Young – que não o conhece e nunca o ouviu – o recebe. Izzy Young é uma personagem do folk-revival para quem Bob Dylan, em 1962, escrevera um poema: “You get a bumper and I'll get a fender, we'll go down to the Folklore Center, you get a daft and I'll get dizzy, we'll go down to see old Izzy, what did the fly say to the flea, Folklore Center is the place for me”. Young, Buckley e a namorada, Janie, conversam, Izzy oferece-lhes o pequeno almoço.


"Sing A Song For You" (1969)

Continuando sem o ter escutado a cantar ou tocar uma única nota, convida-o para fazer um concerto: “Já falámos durante horas e já te conheço o suficiente. Nunca faço audições”. No mês seguinte, perante um importante público de 35 pessoas, o gravador Nagra que Izzy costumava emprestar a amigos para recolher música popular “genuína”, regista as dezasseis canções que Tim Buckley interpreta. Quarenta e dois anos depois, com seis inéditos absolutos, o objecto não é apenas histórico mas também musicalmente magnífico: a poucas semanas de distância do monumental Goodbye And Hello, Buckley, apenas voz e guitarra, às portas do céu, num cubículo de Manhattan.

(2009)

25 October 2009

É SEMPRE EDUCATIVO ESCUTAR
UMA CAVALGADURA FASCISTA
EXIBINDO ESPLENDOROSAMENTE
A SUA ESPESSA IMBECILIDADE




... e vê-la (no caso, Nick Griffin, do British National Party) politicamente demolida pela argumentação de um leque de adversários - da esquerda à direita - que se limita a dar uso ao cérebro. Parece, no entanto, que não é suficiente: "uma sondagem publicada hoje no 'The Daily Telegraph' mostra que 22% dos entrevistados 'considera seriamente' votar no BNP nas próximas eleições".

Partes II, III, IV, V e VI; mais notícias aqui

edit: outro ângulo de visão sugerido na caixa de comentários

(2009)
JUSTIÇA E IGUALDADE DE DIREITOS
PARA O PROFESSOR KARAMBA, JÁ!




A campanha a favor da equiparação das habilitações do Professor Karamba às dos "politólogos" da excelsa academia foi já iniciada aqui; de forma implícita, continuou aqui; e prossegue agora com a exibição do que passará a designar-se como a Prova-Rita Rato: se é possível responder "Não conheço essa realidade [o atropelo dos direitos humanos na China] de uma forma que me permita afirmar alguma coisa", declarar, acerca dos "gulags" soviéticos, "Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso" e ser licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, então, é da mais elementar justiça que, ao Professor Karamba, "grande conselheiro com 42 anos de experiência, conhecido por grandes personalidades no Mundo Inteiro", seja atribuído um Doutoramento Honoris Causa no ramo equiparável dos Trabalhos Ocultos!

(2009)

24 October 2009

TOO GOOD TO BE TRUE...



... mas é mesmo verdade. O Kit-Saramago-ateísmo-para-donas-de-casa-modernas *, à venda na FNAC, a 19,80€ (poupe 2,20€): "o autor não recua diante de nada (...errr...) nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável: a divindade". (gratidão eterna ao Manuel)

* o nome oficial é Caixa Exclusiva José Saramago; mas cedo os direitos do Kit gratuitamente e com o máximo prazer.

Hipótese de promoção alternativa: inspirando-se na "joint venture" Printemps-Crazy Horse, promover sessões de leitura pública, abrilhantadas por coreografias das "girls" do Casino Estoril, para o efeito, designadas como As Kedeshahs de Astarte:



(2009)

23 October 2009

MARICAS!



Saramago admite "excessos" em Caim

(2009)
O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (XXIX)

Laurinda Alves




Filósofa da transcendência e do inefável, Laurinda Alves não deixa, por isso, de ser socialmente interventiva e actuante, sempre em defesa dos mais fracos e vulneráveis. Ainda Isabel Alçada nem teve tempo de começar a fazer a trouxa para a 5 de Outubro e já Laurinda se lhe dirige, em defesa das pobres crianças didacticamente assediadas por "sacos de plástico" cheios de "vaginas e pénis de borracha" e expostas "de forma nua e crua a alguns procedimentos íntimos", o que - não amaciemos a linguagem - as "marcou para sempre" e constitui "a matéria mais sensível de todas e o maior dilema do momento". Só podemos apoiar a filósofa Laurinda neste justo combate: poupemos os nossos jovens às vaginas e pénis de borracha! (aqui)

POR UM PORTUGAL LIVRE DE ESCOLAS BADALHOCAS!!!



(2009)
UMA AVENTURA NA EDUCAÇÃO - TEMA & VARIAÇÕES




Hipótese A



Aliviadíssima com o presentinho que a oposição lhe oferecerá ao suspender a avaliação dos professores no parlamento, Isabelinha ensaia o perfil de anti-Lurdes, faz charminho à classe docente e inventa o eduquês light. Dá para sobreviver até 2011 se, durante o próximo ano, o barco não for ao fundo. Depois, logo se vê.


Hipótese B:



Apesar do charminho, o professoriado, animado com as "vitórias", toma o freio nos dentes e Isabelinha tacteia na escuridão. Se todo o resto à volta não se encapelar demasiado, dialoga, dialoga, dialoga, empata, empata, empata, até o Governo já não poder ser demitido. Depois, logo se vê.


Hipótese C:



O professoriado, lado a lado com os operários, camponeses, soldados, marinheiros e Cavaco, enceta a luta armada. Os "apparatchiks" do ME - o verdadeiro e eterno poder - exigem músculo e fazem-lhe a folha. Há uma grande tempestade debaixo dos céus e a situação é excelente para a revolução. Isabelinha inicia, finalmente, a leitura de Huis Clos, murmura "o inferno são os outros" e inaugura o seu período de existencialismo dilacerado. Vê-se muito mal.

(2009)

22 October 2009

NEM EU O DIRIA MELHOR *


M. A. Pina

Saramago é crente

Saramago dizendo "Deus não é de fiar: é vingativo, é má pessoa" lembra-me as animadas conversas das empregadas domésticas nos autocarros a caminho do trabalho, revoltadas com a Ivone do "Caminho das Índias" e prontas para, dando com a actriz Letícia Sabatella na rua, tirarem desforço dela. Saramago, afinal, é crente, e fundamentalista, levando a novela bíblica a peito e as "más práticas" de Deus (espécie de Ivone da Bíblia) à conta de literalidade. Não me admirava que, podendo, também o invectivasse ("Aquilo faz-se, meu malandro, mandar Abrãao matar Isaac?") e o espancasse se ele lhe aparecesse, como à Alexandra Solnado, no metro. Alguém que diga a Saramago que a Bíblia é um livro, uma narrativa (na verdade muitas e belíssimas narrativas, misturando verdade histórica e fábula), "escrita" há milénios por autor colectivo e anónimo a quem os cristãos, na parte que lhes toca, chamam Espírito Santo (como chamamos Homero a todos os gregos autores da "Odisseia"). Não é uma obra de História ou de Geografia, de Biologia ou de Astronomia. Era de supor que um romancista percebesse isso melhor que ninguém. (Manuel António Pina, aqui)

* ... embora não faça a menor ideia de quem é a Ivone...

(2009)
A CULTURA (CIENTÍFICA) DO LUDOPÉDIO



No "Público" - jornal dito "de referência" - pode encontrar-se esta "sondagem":

"Quais as hipóteses de Portugal vencer o play-off para o Mundial de 2010?

* 100% de hipóteses de vencer
* + de 80% de hipóteses de vencer
* + de 60% de hipóteses de vencer
* 40-60% de hipóteses de vencer
* - de 40% de hipóteses de vencer
* - de 20% de hipóteses de vencer
* 0% de hipóteses de vencer"


Porque o jornal é sério e o assunto de extraordinária relevância, até me apetecia responder. Se fosse no "24 Horas", era fácil: apostava no primeiro palpite que me viesse à cabeça e estava feito. Tratando-se do "Público", acho, francamente, que nos deveriam fornecer todos os parâmetros, variáveis e critérios científicos envolvidos que nos permitissem ponderar a avaliação e decidir de forma responsável. Com estas coisas não se brinca.

(2009)
ERAM SÓ DUAS PERGUNTAS S.F.F.



"As primeiras 54 mil doses da vacina para a gripe A chegaram ontem a Portugal. As embalagens estão agora a ser encaminhadas para os hospitais e centros de saúde onde vão ser administradas, a partir de segunda-feira, aos grupos de risco seleccionados para esta primeira fase: grávidas no segundo e terceiro trimestre de gravidez que tenham uma patologia grave associada, trabalhadores de sectores "indispensáveis ao normal funcionamento da sociedade" (onde se inserem os órgãos de soberania e militares) e profissionais de saúde. Contudo, é neste último grupo que ainda há resistências em relação à vacina, reconheceu ontem a ministra da Saúde". (aqui)

1) Não dá bastante que pensar serem, justamente, os profissionais de saúde aqueles que maiores resistências opõem à vacina contra a Gripe A (não vale responder com conversa para boi dormir do género "tem a ver com a percepção dos profissionais de saúde do risco de adoecerem e os médicos sentem-se saudáveis")?

2) Que compensações recebe o Estado português por tão obedientemente abanar o rabo (e, assim, alargar a cratera dos 74,5% do PIB da dívida) quando a GlaxoSmithKline e a Roche lhe mandam fazê-lo?

Até porque já nos explicaram muito bem isto com confirmação superior e tudo...

(2009)

21 October 2009

NOVAS AVENTURAS DA TARTARUGA DE LANZAROTE



Há uma criatura, supostamente ESCRITOR, que afirma:

"Quem é que vai ler um livro daquele tamanho, assim por dedicação? Só por obrigação, e, mesmo assim, é natural que vá passando umas quantas páginas..."

(primeiro: o "livro daquele tamanho" - a Bíblia - são 73 livros de tamanho muito mais maneirinho; segundo: não é por nada mas, a um escritor, ouvir dizer que "só se lê um livro daquele tamanho por obrigação", quer dizer... fica mal)

"A questão de Caim sempre achei aquilo um pouco estranho. Porque deus aceita o sacrifício de Abel e rejeita o sacrifício de Caim? Porquê? Dêem as voltas que derem, não há teólogo nenhum que explique isto. Deus, supostamente, criou a humanidade naquele pequeno embrião que é a família - Adão, Eva e os três filhos - (...) Caim era lavrador. Abel criava gado. Abel ofereceu a deus a gordura do cordeiro e Caim não tinha mais nada para oferecer senão o fruto do trabalho, umas espigas... (...) Deus ficou muito satisfeito com Abel e o sacrifício de Caim rejeitou-o. (...)"

(porquê?... assim, à letra mesmo, não é nada de transcendente que não apareça todos os dias nas telenovelas; usando um ou dois neurónios, parece que poderá ser uma referência simbólica aos conflitos entre pastores nómadas e agricultores sedentarizados; mas, se quisesses ser mesmo literal, havia aí (como, aliás, aqui) bife do lombo mais saboroso: então, Adão, Eva, os três putos... como é que a espécie humana continuou a reproduzir-se sem badalhoquice incestuosa?)

"Deus é vingativo, rancoroso, má pessoa, não é de fiar"

(portanto: não só é mau, vingativo, rancoroso e de pouca confiança, como é... pessoa! Logo, existe - com ateus destes vou ali e já venho)

"O Livro de Job começa com uma reunião no céu onde está deus com os seus anjos, arcanjos, tronos e, e, e... tudo isso (querias dizer "dominações", não era?) e, estranhamente, está também Satã. Satã é o anjo mau, o anjo rebelde. Porque é que ele está ali? Não nos dizem porque ele está ali"

(pá... como explicar-te?... é que, mesmo no parlamento celestial... há oposição!)

Não mudando de assunto, já isto é muito bom:


Bruce Springsteen - "Adam Raised A Cain"

(2009)
A TARTARUGA DE LANZAROTE



"Se, de aqui a 100 anos, se fizer o levantamento da construção da Língua - isso é uma das tarefas do ESCRITOR - devida a Saramago, a resposta é ZERO. Não há uma única ideia, uma frase memorável, um aforismo que possamos contar aos vindouros. Aquilo é mau, mal escrito, e serve, como máquina de fabricar chouriços, só para enriquecer uma editora e o próprio. A esta hora, o Bom Comunista, se ao menos isso ele ainda tivesse em si, já devia ter transformado os lucros fenomenais numa Fundação de diminuição das Assimetrias Sociais, mas a tartaruga analfabeta prefere refugiar-se em Lanzarote, a fazer o papel da alma incompreendida e exilada". (post integral aqui, por oferta da N)

Nota: 1) assino por baixo, aí a 80% (não, as mariquices hippies do Novo Testamento continuam a não me comover); 2) de Saramago, cheguei à página 60 e tal do Evangelho Segundo Jesus Cristo e desisti: não - obviamente - em solidariedade com a Vaticano S.A. mas por a indigência da escrita ser ofensiva; tentei, ainda, um outro de que nem me recordo o nome e idem; gente que prezo garante-me que O Ano da Morte de Ricardo Reis é assaz legível... pode ser que, um dia...

(2009)
AINDA OUTRA VERSÃO ALTERNATIVA DO GÉNESIS



Segundo José Saramago, "bem exemplificativa da degradação de costumes a que irremediavelmente conduz a moral reaccionária e decadente da burguesia exploradora".

(2009)
CHRISTINA COURTIN - "BUNDAH"



(2009)

20 October 2009

DIGAM LÁ SE A DOUTRINA DA VATICANO S.A.
NÃO CONSEGUE, ÀS VEZES, TER ATÉ PIADA?




"Com efeito, o homem inteligente e livre, foi constituído em sociedade por Deus Criador; mas é sobretudo chamado a unir-se, como filho, a Deus e a participar na sua felicidade. Ensina, além disso, a Igreja que a importância das tarefas terrenas não é diminuída pela esperança escatológica, mas que esta antes reforça com novos motivos a sua execução". (Concílio Vaticano II - As raízes do ateísmo e a resposta da Igreja)

É favor ler o texto na primeira acepção de "escatologia". Como diria Rabelais: "Oh quão maravilhosa matéria fecal!"

(2009)
LETRA "B"



Big Star - #1 Record + Radio City

Há certas afirmações que muito dificilmente poderão ser proferidas sem provocar, instantaneamente, reacções emocionadamente incandescentes. Por exemplo, esta: os Big Star (confessadamente) aprenderam tudo com os Beatles e, rapidamente, ultrapassaram os mestres. Acrescentem-lhe outra: aos Beatles, agrafaram os Byrds e Beach Boys (hipótese para tese de mestrado em musicologia pop: a importância da letra “B” na passagem da década de 60 para a de 70 e seguintes) e, em três álbuns – ainda que poucos os tenham escutado –, definiram, por muitos anos, o "state of the art" em matéria de música popular anglo-americana numa dimensão que, só, talvez, os Velvet Underground terão ultrapassado.



Mesmo tanto tempo depois, é uma declaração de guerra, claro. Tentemos enterrar os machados e escutemos, em modo remasterizado-para-salvar-o-que-resta-da-indústria, Record #1 (1972) e Radio City (1974). Onde existiu, em qualquer outro lado, antes e depois, tal concisão melódica, de mãos dadas com idêntico requinte harmónico vocal, superior bordado de guitarras eléctricas e simultâneo "punch" rock? Peter Buck, dos R.E.M, (é só um exemplo) responde por nós: em lado nenhum. Mais em filigrana, um, mais musculado, o outro (Third/Sisters Lovers, 1978, abria para outros obscuros lugares), Chris Bell e Alex Chilton inventavam um fértil futuro. Como deve dizer-se, vénia.

(2009)

19 October 2009

O MITO DA QUEDA SEGUNDO A DONA GERTRUDES
(aliás, José Saramago)



Adão e Eva - Lucas Cranach, 1526

Tal como a pré-publicação de Caim pelo "El País" o revela: Dona Gertrudes repete, palavra por palavra, o que lhe ensinaram na catequese - com inclusão da imaginária "maçã" nunca referida na Bíblia e só muitos séculos mais tarde inventada pela arte religiosa europeia -, perdendo, assim, uma óptima oportunidade (Dona Gertrudes vê-se como intelectual, uma "intelectual do povo" mas intelectual) de se atirar a um dos mais intrigantes nacos do Génesis. Aquele em que Jeová proíbe que Adão e Eva comam, não de nenhuma "maçã", mas do "fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal". Isto é, a permanência no Jardim do Paraíso pressupõe o desconhecimento do Bem e do Mal, isto é da MORAL. Dona Gertrudes é uma exegeta literalista mas certas saborosas surpresas que uma leitura literal pode proporcionar escapam-lhe. Ou então, repugna-lhe a ideia que a felicidade possa ser um estado de amoralidade e prefere-lhe a versão-BD-para-o-povo-com-maçã-e-tudo que sempre é mais fácil de descascar.

(2009)
CAIM - O MUSICAL
(a partir de uma ideia original
de José Saramago)




(2009)
DEFESA (PRATICAMENTE) ATEIA DA BÍBLIA



Não tendo especial admiração pela personagem, não me tendo rendido nem um bocadinho ao pouco que dela li (e que não me despertou vontade de voltar a tentar), e nada próximo das suas afinidades políticas - passadas e presentes -, reconheço que, à primeira vista, sabe bem ouvir dizer, publicamente, coisas como:

"A Bíblia é um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana"

"A Bíblia passou mil anos, dezenas de gerações, a ser escrita, mas sempre sob a dominante de um Deus cruel, invejoso e insuportável"

"O Corão, que foi escrito só em 30 anos, é a mesma coisa. Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos!"

"Mas há coisas muito mais idiotas, por exemplo: antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?"

"Deus só existe na nossa cabeça, é o único lugar em que nós podemos confrontar-nos com a ideia de Deus" (aqui)

Só que, logo depois, não é difícil compreender como essas opiniões nascem exactamente da mesma pobre incubadora cultural e "literária" que gera os "crentes": "righteousness" moral, absoluta falta de sentido de humor, entendimento "de porteira" dos textos bíblicos (e respectivo comentário à mesma altura), indignação simétrica da erudição de catequista.

José Saramago, permita que eu, agnóstico de longo curso, a um milímetro do ateísmo militante, lhe diga: a Bíblia (ou melhor, o Antigo Testamento - esqueçamos as mariquices hippies do Novo) é uma fabulosa colecção de livros recheada de trepidante acção, violência "gore", "nonsense" transbordante, óptima pornografia, alguma bela poesia e "sci-fi" visionária. Sempre que posso, estou agarrado a ela. Já agora, a "sequela", conhecida como Livro de Mormon (aqui e, mais genericamente, aqui), para além de ser um genial "fake", também não é nada de se deitar fora.

(2009)

18 October 2009

STREET ART, GRAFFITI & ETC (XXXV)

Lisboa, Portugal, 2009









(2009)
JUILLIARD POP



Christina Courtin - Christina Courtin

Imaginem o que poderia ser, em termos actuais, uma superbanda: o guitarrista Marc Ribot (Tom Waits e inúmeras outras notabilidades de downtown-New York), Greg Cohen (baixista e acordeonista de currículo semelhante com Laurie Anderson pelo meio, aqui, também, enquanto co-produtor), o teclista Benmont Tench (ele, fidelíssimo dos Heartbreakers, de Tom Petty, mas também regular de Johnny Cash, U2, Sam Phillips, Bob Dylan, Roy Orbison, Rolling Stones, Elvis Costello e Fiona Apple), o baterista Jim Keltner (não há espaço para incluir metade dos ilustres), o multi-instrumentalista, produtor e "film-musician", Jon Brion (Aimee Mann, a bela Fionna, Brad Mehldau e filmes de P.T. Anderson e Michel Gondry na carteira) e ainda outras notabilidades injustamente avulsas.



Estão todos no álbum de estreia de Christina Courtin, recém-licenciada da Juilliard em violino e – como Joan Wasser, Shara Worden ou Regina Spektor, outras tantas "meninas de conservatório" – óptima e erudita "songwriter" (algures entre o melhor de Kristin Hersh, Joni Mitchell e Spektor), capaz de escrever “I thought I was a person too, turns out I’m a monster just like you” e de, por só, episodicamente, aqui, pegar no violino, desafiar a velha escola com a frase (no seu site) “Take that, Juilliard!”.

(2009)

16 October 2009

A ULTRA, HIPER, MEGA-COMPLEXA COISA POLÍTICA LUSA,
TÃO, TÃO, TÃO, QUE SÓ MALTA COM PÓS-DOUTORAMENTOS
EM "CIÊNCIA" POLÍTICA PODERÁ SER CAPAZ DE PERSCRUTAR




HIPÓTESE A - Sócrates/PS/Governo e/ou a "oposição" entram a "partir tudo": casamentos gay vs. avaliação de professores; TGV/aeroporto vs. PMEs e "apoio social", etc...;

Objectivos: demissão do governo/dissolução do parlamento, "por não haver condições de governabilidade" (parece que, agora, se diz "governança", embora isso seja mais urbano/municipal, ainda que identicamente parolo);

Condicionantes: Sócrates/PS/Governo supõem que, assim, podem voltar ao paraíso (maioria absoluta); PSD renasceu das calcinadas cinzas e supõe que, assim, pode voltar ao paraíso (maioria absoluta); BE/PP/PCP hesitam na dimensão das migalhas que lhes caberão do banquete mas acabam (todos ou só os suficientes) por alinhar;

Imponderáveis: Aníbal, o norte-africano, voltou a tomar as gotas, não larga a caixa de emails e decide que se está nas tintas para não ser reeleito (ou, "com enorme sentido de Estado", exclui a hipótese de reeleição se tudo correr muito mal); Aníbal, o norte-africano, voltou a tomar as gotas, não larga a caixa de emails e quer ser reeleito porque, supostamente, o PSD renasceu das calcinadas cinzas; Aníbal, o norte-africano, esqueceu-se da gaveta onde guardou o frasco das gotas, pergunta "o que são emails?" e nomeia um Governo de Unidade Nacional até 25 de Abril de 2074; Medina Carreira é avisado do risco sério de ser morto, a tiro, no Terreiro do Paço, restaurando-se a monarquia;

Momento possível: aquela (tantos anos até, finalmente, conseguir escrever isto!...) "janela de oportunidade" - quando o Aníbal, o norte-africano, ainda manda -, algures entre Março/Abril e Setembro de 2010, Odisseia nos Paços;

Consequências: Sócrates ganha eleições com maioria absoluta (ou relativa: volta tudo à casa de partida e Zeus nos valha); PSD ganha eleições com maioria absoluta (ou relativa: volta tudo à casa de partida e Zeus nos valha); Zeus nos valha em 25 de Abril de 2074; simplificando, e, em geral, Zeus nos valha.



HIPÓTESE B - ceninha perversamente light: todos vigiam todos, eu voto isto (e denuncio-te porque não votaste) e tu votas aquilo (e denuncias-me porque não votei); fazemos todos xixi nos cantinhos da casa para dizer "aqui mando eu" - dava jeito que a casa tivesse (mas, desgraçadamente, não tem) mais do que quatro cantinhos; o PS fica com os Armani coçados mas respira o suficiente para garantir a vidinha a mais umas dúzias de láparos; a "janela de oportunidade" (duas seguidas!... nem acredito) passa de fininho e o próximo PR (seja quem for) que se amanhe;

Objectivos: (assobiando para o ar, "quem, eu?"); Aníbal, o norte-africano, se os químicos do frasco apontarem para aí, reeleito e a reforçar a medicação (se não apontarem, será o que Zeus quiser); "business as usual"; muitos novos dias de imensos loureiros;

Condicionantes: as dúzias suficientes de láparos com a vidinha garantida; as gotas; a caixa de emails; as migalhas convenientes para "as margens do sistema";

Imponderáveis: as gotas; a caixa de emails; "a crise"; Obama assassinado por braço armado radical do KKK que o Partido Republicano, imediatamente, repudia; Portugal falha o play-off para o Mundial da África do Sul; Osama Bin Laden ressuscita ao 3º dia;

Momento possível: from here to eternity;

Consequências: simplificando, e, em geral, Zeus nos valha (o Medina, antes de ser baleado no Terreiro do Paço, diz que é entre 2015 e 2020 que a coisa dá o berro).

(nada disto, realmente, importa muito: é só um esboço de manifesto para exigir a justíssima equiparação de habilitações do Professor Karamba às dos "politólogos" da excelsa academia)

(2009)
E VÃO MAIS CINCO PARA O KEEPVID...















(2009)

15 October 2009

O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (XXVIII)

Jorge Coelho


Quando Jorge Coelho, eminente empreiteiro, optimista antropológico e Tarzan da crítica musical, coloca Amália Rodrigues no seu devido lugar e, de caminho, aproveita para reduzir o que escrevi à merecida insignificância, só resta meter o rabo entre as pernas e reconhecer que, perante um mestre (de obras), há que guardar o mais respeitoso silêncio.

"Eu vi um espectáculo fabuloso, há quatro ou cinco dias, da Amália Hoje: pegaram em canções que são tristes, canções que têm o destino traçado, e transformaram-nas em música pop, alegre, virada para o futuro. Eu acho que também temos que acreditar que é possível ter um futuro melhor". (Jorge Coelho, aqui, no "Gato Fedorento")

(2009)
FAKE TARZANS
(remake daqui)


Dişi Tarzan (real. Kayahan Arikan, Turquia, 1971)


Tarzan Korkusuz Adam (real. Kunt Tulgar, Turquia, 1974)



(2009)
CECILIA BARTOLI/IL GIARDINO ARMONICO - SACRIFICIUM









(2009)

14 October 2009

O PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS (XXVII)

Laurinda Alves


sobre temas afins

Este crucial dilema ("na boca ou na mão") já tinha sido aqui abordado. Mas é sempre enriquecedor vê-lo repensado assim, sem quaisquer preconceitos, por alguém como a filósofa Laurinda Alves e atentarmos nos seus decisivos contributos ("na mão é tão digno como recebê-la na boca"). É de mentes abertas como a dela que o país tanto precisa. (aqui)

(2009)
A DOCE PÁTRIA PODE ESTAR COM ESTERCO PELAS NARINAS...



... mas nada temamos!... que o nobre povo e a nação valente e imortal estão sempre prontos a pegar em armas pelas Grandes Causas!

Grande Causa I

Grande Causa II

Grande Causa III

(2009)
UMA REDE MUITO NERVOSA



The Feelies - Crazy Rhythms




The Feelies - The Good Earth

Um ano em que são editados Closer, dos Joy Division, Crocodiles, dos Echo & The Bunnymen, Waiting For A Miracle, dos Comsat Angels, e Remain In Light, dos Talking Heads – para além de diversas outras jóias da coroa pop –, já teria tudo para poder ser considerado, sem nenhum favor, de colheita musical "vintage". Mas, se nos recordarmos que foi também em 1980 que os Young Marble Giants publicaram Colossal Youth e os Feelies ofereceram Crazy Rhythms ao mundo, então, há que começar a encarar seriamente essa data como momento particularmente singular na narrativa da música popular. Sobre os Giants já foram vertidos todos os louvores justos e necessários e a sua solitária gravação merecidamente reeditada.



É, pois, agora, a altura oportuna (a pretexto da edição finalmente remasterizada de Crazy Rhythms e The Good Earth) para que múltiplas vénias se desenhem perante o absolutamente inclassificável álbum de estreia dos Feelies, peça literalmente única daquele raríssimo tipo de génio em estado quimicamente puro que só dificilmente se repete e muito infrequentemente faz escola. Baptizados a partir de uma das assombrações tecnológicas de Aldous Huxley, em Brave New World, Glenn Mercer, Bill Million, Anton Fier e Keith DeNunzio, prototípicos "nerds" de New Jersey, não dissimulavam a sua devoção pelos Velvets, Wire, Television, Modern Lovers e pelos primeiros álbuns de Brian Eno.



Porém, quando, na Primavera de 1979, entraram nos Vanguard Studios de Nova Iorque, foi como se tudo isso fosse instantaneamente calcinado por uma descarga eléctrica e desse agregado estético tivesse restado apenas uma rede (muito) nervosa exposta à flor da pele: geométrica, esquinada, tensa, ritmicamente dura e metronómica (Fier, como Mo Tucker, ignorava quase totalmente os címbalos), tão ingénua quanto ferreamente controlada, com as guitarras directamente ligadas à consola de mistura, a música dos Feelies era uma alucinatória vertigem de escalas em remoínho, confrontos de cordas em overdose de cafeína e percussão ansiosamente matemática e detalhada. Tipicamente, depois disso, a Stiff Records entendeu que eles deveriam transformar-se nos “novos R.E.M.”. Resistiram bravamente durante seis anos. The Good Earth acabou produzido por Peter Buck e era uma excelente confluência dos Velvets mais pastorais, dos Feelies e... dos R.E.M. Sem dúvida, ainda hoje, um belíssimo disco. Mas não voltou a existir outro Crazy Rhythms, nem nada que, muito remotamente, se lhe assemelhasse.

(2009)