29 November 2013

Seguindo exactamente a mesma política de há um ano, o resultado foi ainda melhor: 6.633 M€ e 3,9 %
Les portugais sont toujours gais (L)


Parece que a pátria se amofinou tanto com a metáfora que não é metáfora (pudera!... são só desconsiderações aos mais altos valores lusos...) que nem reparou na concretização idiomática da União Ibérica via-"Tierra" de Miranda (iberistas, rejubilemos!)
Corre, Machete, pá, há que evitar outro conflito diplomático!!! (explica-lhes que, com a crise e tal, o ensino da Geografia das colónias - mas não digas colónias!... - já não é o que era e coiso...)
 
2013 - PRÉMIO "QUEREMOS VER 
CABEÇAS A ROLAR"



("CM")

28 November 2013



Edit (30.11.13) Ena!...levou tempo mas o "Brest" lá reencarnou como "Brecht"...
Se disserem que eu sou "de esquerda", nego tudo: depois do pai fundador,  o Luís Fazenda (na SIC-N) garante que o CEO da Vaticano S.A. é anticapitalista


... olha outro...
Sem dúvida, um ano vintage
para o "fake"

O PASSADO, ONTEM À NOITE



Nada de novo: o p.o.v.o. – da tasca à academia, em todos os continentes –, quer tenha “estado lá” ou tenha só ouvido falar, adora reviver o passado. Garantia, pois, de que a indústria da nostalgia (tal como, talvez apenas, a indústria funerária) possui um inesgotável e risonho futuro. Tão mais brilhante quanto a ruminação a que se entrega, nas múltiplas variantes “pós”, “neo” ou “retro”, se enriqueça de pormenores. Importante é recriar “a época” – invariavelmente designada por “os anos de oiro de...” –, os instrumentos, tiques, maneirismos, ornamentações, adereços, guarda-roupa, futurismos, primitivismos, falhas técnicas, todo um ersatz de “autenticidade” ressuscitada para ouvidos, olhos, salas e contextos nunca exactamente iguais aos dos respectivos pontos de partida. Da respeitabilíssima "early music" dos Munrow, Leonhardt, Savall, Clemencic, Harnoncourt e posterior descendência, às assumidamente miméticas "tribute bands" (incluindo delirantes casos híbridos como o dos Beatallica: canções dos Beatles interpretadas do modo que os Metallica o poderiam fazer), às diversas estirpes retromaníacas do "dad rock" e/ou "record collection rock" e a todos os Tame Impala deste mundo, com maior, menor ou nenhum distanciamento irónico (a reactivação do género “musical”, no cinema, nos exemplos mais valiosos – Dancer In The Dark, Moulin Rouge, Everybody Says I Love You, 8 Femmes, On Connait La Chanson –, nunca se esquivou a exibir, bem visível na lapela, a inocência irremediavelmente perdida e a explicita referência aos ilustres antepassados), a tecla do "rewind" não poderia estar mais gasta.



Mas, por muito que se tenha consciência disso, dificilmente poderíamos estar preparados para, por entre "zappings" e informação avulsa, tomarmos, de súbito, conhecimento da existência da personagem Liliane Marise: qual Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen (uff!... finalmente em Lisboa), salta da ficção televisiva xunga para a “realidade” e, em vertiginosa aceleração hiper-pós-modernissima, de um só golpe e com prazo de validade anunciado, recria o pelintra e pindericamente glorioso "glamour" pimba (oximoro absoluto, escusam de apontar). É verdade que tal zona demarcada, após os precursores Marco Paulo, Quim Barreiros, Dino Meira e José Malhoa e anos de existência "underground" em feiras e arraiais, a seguir à trepidante emergência em "prime-time", a meio dos anos 90 – que nos ofereceu a constelação das Ágatas, Mónicas Sintra, Ruths Marlene, Micaelas, Romanas e outros Iran Costa, ou o propriamente pimba-Emanuel – nunca verdadeiramente se extinguiu. Ofereceu ao universo o seu Sinatra-de-piquenicão, generosamente reconhecido e recompensado pela pátria (procure-se por “Tony Carreira” em http://www.base.gov.pt/ e confirme-se), mas o escol acima enumerado bem como "starlets menores" (já teremos esquecido a pós-feminista Claudisabel de "Preciso de um Herói"?) tiveram de se resignar ao purgatório dos programas de manhã e tarde da televisão, preciosa estação “de serviço público” incluída. Por um breve instante no tempo, Liliane Marise (disco de ouro, 14 semanas no top da AFP) veio alterar isso tudo. O passado remoto é, cada vez mais, ontem à noite.

26 November 2013

24 November 2013

Portugal numa casca de noz (IX)

("Expresso" de ontem - daqui)
Já abriu a bolsa de apostas?
Santo Chiquinho, CEO da Vaticano S.A., exige cordão de segurança anticanídeos para poder realizar um dos números de ilusionismo mais apreciados pelos clientes da empresa (já Eça de Queiroz o referia na "Relíquia"), como ensaio geral para a reposição do maior êxito de sempre, "os dezoito prepúcios"

O amigão de João Soares, Fernando Seara, Zita Seabra e do funcionário da Vaticano S.A., Vítor Melícias (como é bom e belo o arco da governação!...), explica, em directo, que "não sou virgem nestas coisas, não é?"
Call it Sleep - Real. Isaac Cronin and Terrel Seltzer (1982/3)

O tacho do Macário Correia ainda não está garantido (ou, talvez, esteja)

23 November 2013

 

(+ aqui)
(no "Expresso" de hoje): "Os manifestantes [das polícias] preferiram gritar: 'Já cheira a merda'. O Parlamento estava apenas a 200 metros" (dos agentes da autoridade para a "autoridade" - a "autoridade" sem os seus agentes dispõe ainda da possibilidade de agir? - II)
Lá conseguiram arranjar um tachito para o Macário Correia a cadastrar "lambedores de cinzeiros" (cada um é para o que nasce)

("Expresso")

22 November 2013

Não apenas absurdo, trafulha e criminoso mas também patético

Interessante será ver como ele vota quando uma lei sobre o assunto surgir na AR
A STRAUSS ODYSSEY

2001: Odisseia no Espaço - real. Stanley Kubrick, 1968

Gato Preto, Gato Branco - real. Emir Kusturica, 1998 (o 1º minuto)
Voltando aqui, ao "Item 11 de resposta extensa orientada" e intensamente ideológica, qual seria a resposta certa? A que, pegando, por exemplo, no caso da mutilação genital feminina praticada por algumas comunidades de emigrantes africanos (mas, se nos concentrássemos no que respeita à "cultura cigana", as interrogações multiplicar-se-iam), lhe encontra atenuantes e justificações decorrentes do "direito à diferença" ou a que defende que todos os habitantes de um país deverão estar submetidos por igual às mesmas leis?
Vá, Machete, diz: sim, patrão, obrigado, patrão!
Puxando para a superfície esta... coisa e a resposta a uma pergunta feita nesta caixa de comentários:

"Presumo que houve alguém que ensandeceu. Não entendo qual possa ser o objectivo de tal coisa. Apenas na última pergunta - e com uma enorme dose de generosidade - consigo enxergar qualquer sentido... vago. Mas o que terá isto a ver com uma avaliação da qualidade profissional dos profs... beats me".

21 November 2013

Uff!... já cheguei a casa e não houve visitas indesejadas

"20h39 "Passos escuta, és um filho da puta" (dos agentes da autoridade para a "autoridade" - a "autoridade" sem os seus agentes dispõe ainda da possibilidade de agir? - I)
PRÉMIO CHRISTOPHER HITCHENS POP 2013


Porgy And Bess - Real. Otto Preminger (1959) 

Não é sequer necessário ir desenterrar exemplos ao sector mais radicalmente blasfemo da metalomecânica pesada do rock para nos apercebermos de como aqueles que alertam para que a música popular é uma insidiosa arma do demo têm (do seu ponto de vista, claro) uma certa dose de razão. Podemos começar lá atrás, em 1935, com "It Ain't Necessarily So" em que os alegadamente ateus George e Ira Gershwin, na ópera Porgy And Bess, induziam as almas a duvidar do Good Book (“They tell all you children the devil's a villain, but it ain't necessarily so! The things you’re liable to read in a Bible ain’t necessarily so”). Pulando para 1972, em "God’s Song", Randy Newman dava a palavra ao Poder Supremo e obrigava-o a confessar “I burn down your cities, how blind you must be, I take from you your children and you say how blessed are we, you must all be crazy to put your faith in me, that's why I love mankind, you really need me”



Mas, mesmo considerando a decisiva contribuição dos Monty Python para a subversiva demolição do espírito do Natal (“Fuck Christmas, it's a fucking Disney show, fuck reindeer and all that fucking snow, fuck carols and fuck Rudolph and his stupid fucking nose”), até agora, por entre muitas outras, o grau 7 do “espectro de possibilidade teísta” de Richard Dawkins (“ateísmo integral: eu sei que Deus não existe, com a mesma convicção que Jung sabe que ele existe") estava, desde 1986, inexpugnavelmente ocupado por "Dear God", dos XTC: sob forma epistolar, Andy Partridge dispara perguntas incómodas (“Did you make mankind after we made you?”), põe em causa os direitos de autor da Bíblia (“Us crazy humans wrote it (...) Still believin' that junk is true, well, I know it ain't and so do you") e remata, violentamente, com “If there's one thing I don't believe in, it's you”).



A poucas semanas dos balanços de final de ano e seis meses depois da publicação, deve dizer-se que Modern Vampires Of The City, dos Vampire Weekend, sem fazer grande escândalo, ameaça tão duradouro lugar. A refrega com o sobrenatural dá os primeiros sinais em "Unbelievers" (“We know the fire awaits unbelievers, all of the sinners the same, girl you and I will die unbelievers bound to the tracks of the train”), em "Everlasting Arms" (citação do Deuteronómio 33:27), alude ao Dies Irae e ao Aleluia de Haendel, e comenta “I took your counsel and came to ruin, leave me to myself”, mas é em "Ya Hey" que, sob a mais pura e erudita ligeireza pop (batida marcial, serpentinas de piano, baixo elástico, coros "mock-gospel", inversão de "Hey Ya" dos Outkast, citação "spoken word" de Desmond Dekker e Stones, e registo vocal-Chipmunks, no refrão, para parodiar JeováYaveh/Ya Hey), o desinteresse do suposto criador pelas suas criaturas é frontalmente desafiado (“And I can't help but think, that you've seen the mistake but you let it go, through the fire and through the flames, you won't even say your name, only ‘I am that I am’, but who could ever live that way?”) e confrontado com o falhanço (“The faithless they don't love you, the zealous hearts don't love you and that's not gonna change”). Prémio Christopher Hitchens-Pop 2013.
E, para além disso, falaram imenso acerca da Nadia e da Masha (e, indirectamente, da Tymoshenko), não foi?

Mais uma vez, tal como aconteceu com o lançamento do PRD (antecâmara do parto "low cost" do PNR), o homem cujo "comportamento foi sempre marcado pela honra, dignidade, coragem e sentido de Estado", manda a Raínha da Laca por ele e fica, na sombra, a espreitar
2013 - Prémio "Post mais idiota do ano contendo a palavra 'sinédoque'"
 
(especial chamada de atenção para o naco "primário, instintivo, tão bélico como sexual – inerentemente masculino – completamente biológico, completamente individualista")

20 November 2013

Nunca esquecer: antes de pensar em votar PS nas próximas eleições, vir sempre aqui ler, reler e voltar a ler, para compreender como o Tózero-PM, em menos tempo do que leva a dizer "panhonha", acabará degolado pelas tropas de choque do "nouveau philosophe"
Bob Dylan's 1965 classic "Like a Rolling Stone", which Rolling Stone named the greatest song of all time, finally has an official video. Created by the digital agency Interlude, the video is interactive, allowing viewers to flip through 16 television channels as a variety of television personalities lip-sync the lyrics. "I'm using the medium of television to look back right at us", director Vania Heymann told Mashable. "You're flipping yourself to death with switching channels [in real life]". Adds Interlude CEO Yoni Bloch: "You'll always miss something because you can't watch everything at the same time" (daqui

Dois meses, Pedrinho, dois meses... e ainda tu te queixas do TC...
Um santo e devoto homem

19 November 2013

Prefab Sprout - "The Best Jewel Thief In 
The World" (video alternativo)

Portugal numa casca de noz (VIII)

Pouco tempo depois de uma força superior me ter conduzido a publicar este post, deparo com esta notícia:

Só podem ser SINAIS!
REALISMO SOCIALISTA

Les portugais sont toujours gais (XLIX)

Que o brilho ofuscante do Kaizer Albino nunca nos impeça de ler o gigantesco Pedro Arroja! 

18 November 2013

Cásate y Sé Sumisa: já foi oferecido ao Santo Chiquinho e é indiscutível que, inspirando-se em textos fundamentais do Good Book, como a Epístola aos Efésios ("As mulheres submetam-se aos maridos como ao Senhor, porque o marido é a cabeça da mulher, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo, do qual é o Salvador. Ora, como a Igreja se submete a Cristo, assim também as mulheres se devem submeter em tudo aos maridos" - numa futura reedição, poderá ser ainda mais enriquecido), só poderá ser aprovado pela Vaticano S.A.

Idioma, sem dúvida, ao alcance de qualquer ronaldo comum (tradução: vales menos do que o gajo que substituíste, pensando que ias render mai$ do que ele... azarucho)

(daqui)
 
Ó GRANDESSÍSSIMO MESTRE, A SUA HONESTIDADE É JUSTÍSSIMA E TOCANTE MAS, FRANCAMENTE, NÃO ERA PRECISO LEVAR AS COISAS TÃO A PEITO...

"De fora não se vê a podridão que tenho dentro"

"Sou todos os dias muito justamente condenado à morte" 

"Aliás, a morte não é só um justo castigo dos nossos males, mas também um alívio terapêutico dos mesmos males. Que seria viver para sempre em tanta maldade?"

"Se tirar a máscara de respeitabilidade e elegância, se esquecer as justificações retóricas e os enganos convenientes, se for ao fundo das minhas razões, vejo com clareza que um juiz justo e imparcial teria de me condenar. Exalto o pouco bem que vou fazendo, mas essa ilusão de óptica não impede a sentença inevitável"

"Eu, no medíocre quotidiano, continuo a mesma mesquinha criatura que sempre fui" (aqui)

17 November 2013

É assim mesmo, Grande Mestre!

Há que
 desmascarar implacavelmente, de uma
 vez por todas,
  
esses 64% de meliantes
   que, todos os meses,
     
torram para baixo de 419€ em
 champanhe, caviar e férias nas
 Seychelles!

Não os poupe, Eminente
  Sábio!!!

Custava-te muito dizer, preto no branco: 

1) As indigentes Escolas Superiores de Educação (ESEs), covil de "cientistas" da Educação e caldeirão das bruxas do eduquês, deram cabo da formação de professores, por isso vamos encerrá-las todas! (poupavas uns trocos jeitosos); 

2) A formação de professores volta para onde nunca deveria ter saído, as universidades; 

3) Todos os que foram licenciados por ESEs, Piagets e afins (apesar de não serem responsáveis pelo facto de instituições, públicas ou privadas, de ensino, após uma formação miserável, lhes terem metido na mão um certificado a atestar que eram professores) deverão fazer um exame de (re)acesso à carreira, seguido ou não de reactualização de conhecimentos; 

4) Todos os professores em situação de mudança de escalão deverão fazê-lo também (no fundo, praticamente a repetição da "modesta proposta").

Custava?...
STREET ART, GRAFFITI & ETC (CXV)

Lisboa, Portugal, 2013
 


Começa mal: a escrever em acordês e a reunir a colecção de cromos completa dos lugares comuns para-um-mundo-mais-fofinho

Já a papoila não sei se terá a ver com isto
É preciso um gigantesco policiamento da linguagem para, em relação a este farsante, não citar ex-secretários de Estado nem provocar os danos familiares subsequentes

16 November 2013

Mas quem te manda ser cliente da Vaticano S.A.?... O livro de estilo da empresa é claríssimo...
TEMPOS INTERESSANTES

 
Não te esqueças de ir levar-lhe uns aventaizinhos
Machete, larga tudo e corre a explicar ao soba que são só invenções, no máximo eram uns números de telemóvel de umas artistas brasileiras em tournée africana

("Expresso")
 
Edit (14:31): confirmado

15 November 2013

Vá lá... o Catroga é que é

"Flow, my tears" - John Dowland (Andreas Scholl)

Flow, my tears, fall from your springs!
Exiled for ever, let me mourn;
Where night's black bird her sad infamy sings,
There let me live forlorn.

Down vain lights, shine you no more!
No nights are dark enough for those
That in despair their last fortunes deplore.
Light doth but shame disclose.

Never may my woes be relieved,
Since pity is fled;
And tears and sighs and groans my weary days
Of all joys have deprived.

From the highest spire of contentment
My fortune is thrown;
And fear and grief and pain for my deserts
Are my hopes, since hope is gone.

Hark! you shadows that in darkness dwell,
Learn to contemn light
Happy, happy they that in hell
Feel not the world's despite.

14 November 2013

Gravíssimo erro de casting: Catroga (Maduro é um tenrinho) nasceu para representar este papel!

Apenas três lentilhas?... Nunca!!!
Muito, muito instrutivo 
(post completo aqui *)

* e a entrevista aqui
Simon & Garfunkel - Songs of America 
(real. Charles Grodin, 1969)

Prefab Sprout - "The Devil Came A Calling"

Claro: ou se reconhece que o que decreta o "good book" é tudo treta e se fecha as portas da mais velha multinacional ou se fica pelo paleio (mais fofinho ou mais trauliteiro, conforme o falante)
LADRÃO DE JÓIAS


Oscar Wilde não podia ter mais razão quando decretou que “só as pessoas superficiais não julgam pelas aparências”. Mas, apesar de sábia, tal regra de avaliação não deve ser aplicada de modo demasiado literal. Olhando, sem preparação prévia, para uma fotografia recente de Paddy MacAloon – algo como um candidato ao lugar de Pai Natal de centro comercial, todo de branco vestido e calçado – imaginamos, de imediato, que ele nos poderia assediar implacavelmente, de Bíblia na mão, oferecendo promessas de salvação e um convitezinho para comparecer, logo que possível, no templo da seita religiosa da sua preferência. Tranquilizemo-nos, porém: apesar das diversas referências ao Além que mobilavam o último Let’s Change The World With Music (2009) – mas não começava "God Watch OverYou" com as palavras “I’ve no time for religion, maybe doubt’s a modern disease”? –, é oficial (confirmou-o em entrevista recente ao “The Scotsman”): não, não teve nenhum encontro imediato com o Grande Fantasma Cósmico.



Já o mesmo não poderá dizer-se das aparentemente excelentes relações que manteve com o Príncipe das Trevas que, no pacto faustiano relatado em "The Devil Came A Calling", descreve como um tipo “charming, articulate, urbane, charisma all the way (...) no brimstone fire or rain”, capaz de propor um óptimo negócio que lhe proporcionaria “power, wealth, and a mansion on Fellatio Drive”. Acerca do qual não está muito seguro de como terá reagido: “My memory is hazy, I thought that I declined”. Mas, ainda que, quando interrogado como consegue, aos 56 anos, manter intacto o timbre vocal de há duas décadas, responda que “gargarejar com sangue de virgens ajuda bastante”, não é muito provável que o acordo tenha sido consumado: a edição do novo Crimson/Red (sob o já só "nom de plume", Prefab Sprout) resultou dos mesmos sarilhos económico-contratuais que tinham estado na origem de   Let’s Change..., coisa pouco habitual em gente de “power and wealth”.



Isto é, pressionado a publicar um álbum por quem lho teria financiado e porque o seu perfeccionismo patológico o impedia de o fazer, não encontrou outra solução que não garimpar, mais uma vez, os inesgotáveis arquivos e, inteiramente a solo (mas, de novo, acompanhado pelo produtor Calum Malcolm), puxar o lustro a dez canções das quais a mais jovem tem dois anos e a mais idosa, dezasseis. Nada de preocupante, afinal. Os fundos de baú deste fulano que, candidamente, confessa ignorar como se envia um email ou uma SMS e lida mal com computadores, contêm mais preciosidades do que aquilo que a maioria se apressa para tirar do forno. Escutem-se "The Songs Of Danny Galway" (genuflexão perante o mestre Jim Webb – “ I met him in a Dublin bar, a sorcerer from Wichita” ), "Mysterious" (idem face a Dylan – “You roar right out of Nowheresville, to find the beating heart, cryptic, ellusive, smart, mysterious from the start”) ou "The Best Jewel Thief in the World" (ibidem apontado a ele mesmo – “Down below, what do any of those assholes know? Watch your legend grow, you’re the best jewel thief in the world”), gloriosas coreografias de melodia e palavras, e ouse-se não fazer silêncio.

13 November 2013

QUAL O MAIS IDIOTA?
  (o leitor decide - telefonar para 


"O ex-presidente da República Mário Soares comparou os seus quatro anos de exílio em Paris aos dois anos que José Sócrates passou a estudar na capital francesa, considerando que Sócrates, como ele, é um homem diferente depois desta experiência. 'Penso que ele está a passar pelo mesmo porque depois de dois anos em Paris também é outro homem com uma cultura que não tinha antes'"


"[José Sócrates] considera que a homenagem a Mário Soares 'num momento em que a esquerda está no poder [em França]' é 'como uma homenagem a alguém que em determinado momento, nos anos setenta, deu o mote para uma esquerda europeia'" (aqui)
Afinal, um acontecimento não muito diferente deste (com cromos repetidos e tudo)
Não é, graças a Zeus, ainda não é, acredita 

Sabes que até já houve quem sonhasse que a Europa (como diz o outro, "custasse o que custasse") pudesse vir a transformar-se numa grande Alemanha, não sabes?

Mais outro milagre
A história do parto "low cost" do fascista PNR contada pelo comprador do PRD, filho político (envergonhadamente enjeitado) de um homem cujo "comportamento foi sempre marcado pela honra, dignidade, coragem e sentido de Estado"

Capítulos I e II
... e não esquecer também a Little Italy

12 November 2013

Diz que é apenas "compagnon de route" da sinistra Opus Dei * mas o arco da governação vai abençoá-lo antes que seja chamado para aborrecer os santinhos por toda a eternidade


* para além de ter sido o fundador-fantasma do patético PRD, barriga de aluguer dos fachos do PNR (história aqui)
Um prato de três lentilhas (porém...)


+ última entrevista:
A devastadora tragédia de um jovem traído pela política e pela taxa de alcoolémia
... e ainda mais este educativo pormenor...

11 November 2013

LA FAMIGLIA (III)



Leitura complementar:

A coerência é uma coisa muito linda: votaram a favor antes, continuam a fazê-lo agora (convém é que, depois, ninguém diga que não conhecia a pinta dos camaradas do círculo eleitoral que elegeu o Tózero... mas uma homenagem condigna é que já tarda)
 

E, agora, as coisas realmente importantes
Camarão, amêijoa, mexilhão, ostra, gamba, santola e lavagante declarados espécies extintas em Portugal; restam as, praticamente alemãs (é o destino), condelipas

UM CHOQUE DE TITÃS!!! DOIS GRANDES MESTRES DO PENSAMENTO FILOSÓFICO PORTUGUÊS ENFRENTAM-SE E O UNIVERSO PARALISA!

10 November 2013


2013 - Prémio "A Rebelião do Pipi"

Valter Hugo Mãe pela obra "Vagina Dentata" 
(já adaptada ao cinema)

Teeth - real. Mitchell Lichtenstein (2007)
À passagem da Tournée 2013 da Fatinha pelas Filipinas se deve o assombroso milagre de ter havido apenas 10 000 mortos e não 20 000 ou mais
A FILOSOFIA DE CUNT 

É preciso que um fulano ande com os neurotransmissores seriamente desequilibrados para ocupar uma página inteira do 1º caderno do "Expresso" com "a resposta" a uma piada (mas, é verdade, ele descompensa muito sempre que a reputação académica leva um safanão)

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (X)

(com a indispensável colaboração do R & R)

(clicar na imagem)







(clicar na imagem)

09 November 2013

Não é preciso, vocês tratam bem disso sozinhos
VENUS IN FURS 

O SEPARAR DAS ÁGUAS


Domingo, 27 de Outubro. “Sunday morning, and I'm falling, I've got a feeling I don't want to know”. Em poucas horas, mal a notícia da morte de Lou Reed, aos 71 anos, se espalhou, se isso servisse para alguma coisa, bem poderiam ter-lhe dito “watch out the world's behind you”: em brevíssimos "tweets", praticamente, sem palavras (Ryan Adams escreveu apenas “Lou Reed”), anónimos e notáveis, por todas as esquinas e becos das redes de comunicação, procuraram aliviar a irremediável sensação de perda. Lloyd Cole desabafou “Sem ele não existiria Bowie tal como o conhecemos. Eu? Seria provavelmente professor de Matemática” e até o cínico profissional, Luke Haines, não conseguiu dizer mais do que "Fuck, shit, Lou Reed. No". Não, o dia não era, de todo, perfeito. E Lou Reed também não.

Na segunda-feira, pelo meio dos inúmeros textos com que, dolorosamente, se faria o luto, o “Guardian” republicaria uma entrevista de Maio de 2003, realizada por Simon Hattenstone, em Stuttgart. Verdadeiro fã-desde-pequenino (mais exactamente, desde os nove anos, quando "Walk On The Wild Side" – a tal canção que, nos EUA, teve de ser editada, eliminando a frase “But she never lost her head, even when she was giving head”, para que Reed pudesse registar a sua única presença no top 40 do “Billboard” – lhe virou o seu pequeno mundo do avesso), Hattenstone descreve um penoso exercício de humilhação do qual estava muito longe de ser a primeira vítima. Enxotado da presença do músico durante a sessão de fotografia, quando, após mais outra hora de espera para o ensaio de palco, lhe faz uma pergunta sobre os textos de The Raven (publicado nesse mesmo ano), acidamente, ele responde-lhe “Não me vai pedir que lhos explique, pois não?” Interroga-o acerca da relação estética entre ele, Iggy Pop e David Bowie, nos anos 70, e ouve “Não faço a mínima ideia do que está a falar”. E, várias outras não-respostas tortas mais tarde, no momento em que, já praticamente em lágrimas, lhe confessa “Eu era um fã seu...”, é atingido por um intimidativo “Era?!!!...”


Estava lá tudo, desde o início, com os Velvet Underground. Primeiro, apenas Reed e John Cale, depois, os efémeros Angus MacLise e Walter de Maria e, enfim (antes de se iniciar o processo de expurgo constante que foi a história da banda), Nico, Sterling Morrison e Maureen Tucker, sob a tutela estética de Andy Warhol, na performance multimédia Exploding Plastic Inevitable – onde, como definia, aterrado, o “Chicago Daily News”, “desabrochavam as flores do mal”, nada era deixado à imaginação: “Estávamos em palco com chicotes, holofotes gigantes, seringas, arame farpado, enormes crucifixos de madeira. Antes de nós, quando se ouvia música, divagava-se ou associava-se aquilo em que se estava a pensar. Connosco havia uma imagem muito clara do que pretendíamos transmitir. O que chocava era a imaginação não ser suficientemente poderosa para conceber a ideia de pessoas chutando-se em palco, a ser crucificadas ou a lamber botas de cabedal”, contava Ronnie Cutrone, personagem da Factory, de Warhol, que, ao descrever o desempenho dos seus pupilos, afirmava “Nada poderia parecer tão estranho e tão novo sem que estivéssemos a rebentar alguma barreira. ‘É como a separação das águas do Mar Vermelho’, disse-me Nico, uma noite”.

Puríssima verdade: em pleno banho de pétalas do "flower power", os Velvets odiavam hippies (e diziam-no em voz alta), aos êxtases aromatizados a incenso preferiam a áspera dureza S&M, e, através de um álbum – The Velvet Underground & Nico, 1967 – que, nos primeiros cinco anos de publicação, mal vendeu 30 000 exemplares (em 2006, seria incluído na Library Of Congress), inventaram, de um só golpe, a estética punk, a ética indie e abriram de par em par a via para o art-rock. Porém, o “New York Times” descrevia-os como “Andy Warhol’s jazz band” e “uma combinação de rock’n’roll com dança do ventre egípcia”, e o respeitável Richard Goldstein, no “Village Voice”, embora concedendo que se tratava de “um grupo importante” e que "Heroin" eram “sete minutos de autêntico rock’n’roll dodecafónico”, insistia em caracterizá-los como “uma banda de que não é fácil gostar” e decretava que algumas das faixas eram “aborrecidas e repetitivas”, a voz de Lou soava aflitivamente ao “Bob Dylan inicial”, "There She Goes Again" era uma “cópia sem vergonha” de "Hitch Hike", dos Rolling Stones, e "Black Angel’s Death Song" e "European Son" chegavam a ser “insuportavelmente pretensiosas”.


A “pretensão” de Lou Reed, entretanto, era outra: “Eu não sou negro, não toco soul. Não sou um 'hillbilly', não toco country & western. Não ando pelas esquinas a cantar doo-wop. Era mais fácil pensarmos ‘vamos lá a ver como soamos’. E dei bastante importância às palavras na música, o que nunca tinha ouvido fazer antes. Isso parecia muito natural para alguém que, como eu, estudava literatura inglesa. Via todos aqueles 'songwriters' que só escreviam acerca de um domínio de experiências muito restrito. Parecia-me bastante evidente e muito fácil abordar as canções como um romancista, a ponto de não compreender o motivo por que ninguém o tinha feito. Peguemos no Crime e Castigo e transformemo-lo numa canção de rock’n’roll! Pode existir escrita literária a sério numa canção de rock se conseguirmos fazê-lo sem perdermos a noção do ritmo. Aquilo sobre que escrevo não pareceria nada de invulgar se surgisse num livro ou num filme”. E, apesar de, confessadamente, adorar Archie Shepp, Cecil Taylor, Don Cherry e Ornette Coleman – os dois últimos tocariam com ele, respectivamente em The Bells (1979) e The Raven –, um lema (que nunca seguiu, realmente, à letra) orientava-o: “Um acorde serve muito bem. Dois acordes é ir já longe. Três acordes e caímos no jazz”.


Essa espécie de primitivismo estético que dissimulava uma obsessão pela altíssima fidelidade, prosseguiria até ao fim da sua permanência nos VU e na posterior trajectória a solo que, sem o trampolim da produção de David Bowie em Transformer (1972), nunca saberemos se e como teria existido. Tudo o que viria a seguir – quase sempre controverso, raramente consensual – fez-lhe ganhar e perder adeptos. Nomeadamente, o lendário crítico Lester Bangs que, em 1975, na “Creem”, transcrevendo uma entrevista-sessão de pugilato verbal com Reed significativamente intitulada “Let Us Now Praise Famous Death Dwarves”, escreveria: “Lou Reed é o tipo que injectou dignidade e poesia e rock’n’roll na heroína, nas anfetaminas, na homossexualidade, no sadomasoquismo, no homicídio, na misoginia, na apatia e no suicídio e, a seguir, tratou de demolir todos estes feitos transformando tudo numa monumental piada de mau gosto”. Em causa estavam os álbuns Berlin (1973) e Metal Machine Music (1975). Dezassete anos mais tarde, numa conversa com o escritor britânico Neil Gaiman que, surpreendentemente, decorreu sem atritos (embora Gaiman, que roubara a entrevista a Martin Amis, fizesse questão de recordar o proverbial mau feitio no primeiro concerto de Lou a que assistira em Londres: “No final do concerto, disse-nos que tínhamos sido um público tão miserável que não merecíamos um encore. E não o fez“), ele daria a sua interpretação dessas flutuações de fidelidade: “Algumas pessoas ficaram para sempre paradas nos Velvet Underground, no Transformer ou no Rock’n’Roll Animal. Algures por aí. Enquanto eu estava apenas de passagem”.


Uma imperial passagem que, foi oferecendo diversos exemplos daquilo para que foi criada, justamente, a palavra “seminal”: Street Hassle (1978), The Blue Mask (1982), o portentoso New York (1989) – que, caso fosse ainda necessário, o instalaria no mesmo panteão dos poetas da cidade já habitado por Martin Scorsese e Woody Allen –, Songs For Drella (1990), o requiem por Warhol, executado a quatro mãos com John Cale, Magic And Loss (1992), Live MCMXCIII (1993), registo da fugaz reunião dos VU, e o magnífico duplo conceptual, The Raven (2003), inspirado pela obra de Edgar Allan Poe e ponto de encontro para quase três dezenas de "guest stars", de Bowie, Ornette, The Blind Boys Of Alabama e Kate & Anna McGarrigle a Steve Buscemi, Willem Dafoe ou a já então sua companheira, Laurie Anderson. Cruzou-se também, no teatro, com Robert Wilson, em Time Rocker (variação de 1996 sobre A Máquina do Tempo, de H. G. Wells) e POEtry (que, em 2000, seria o cadinho de The Raven; no cinema, com Wim Wenders (Faraway, So Close!, 1993) e Wayne Wang e Paul Auster (Blue In The Face, 1995, e Lulu On The Bridge, 1998); e, encarnando, por duas vezes, a tão odiada personagem do entrevistador, conversou com o seu herói literário, Hubert Selby, e com o fã de longa data, Vaclav Havel, na altura, presidente da (ainda) Checoslováquia recém-democrática, ambas publicadas na recolha de textos, Between Thought And Expression (1991). Na introdução desta última, conta como, na véspera de partir para Praga, tinha estado presente no estádio de Wembley, num concerto de homenagem a Nelson Mandela, dois meses após a sua libertação. Não chegou a encontrar-se com ele, viu-o apenas pela televisão. Mas interrogava-se: “Aos 71 anos, tinha um aspecto incrível. Como eu gostaria de, com essa idade, estar como ele...”