30 September 2015

CORNUCÓPIA


Em Maio deste ano, Darryl Holter, historiador do movimento operário norte-americano e "folk singer", com o apoio dos Woody Guthrie Archives, publicou o álbum Radio Songs: Woody Guthrie in Los Angeles 1937-1939, dedicado às canções que, durante esse período em LA (a altura em que John Steinbeck também escrevia As Vinhas da Ira), o patriarca da folk e da canção politicamente comprometida compôs para o seu programa diário de rádio – “Woody and Lefty Lou” – com Maxine Crissman. Em estúdio, com ele, estiveram a violinista Sara Watkins, a "singer-songwriter" Ani Di Franco e a filha e compositora Julia Holter. Exactamente a mesma Julia Holter que, ex-aluna da Alexander Hamilton Academy Of Music, em Milwaukee, da escola de música da Universidade do Michigan, e do California Institute of the Arts, em Los Angeles, colabora regularmente com gente das fronteiras experimentais e da música microtonal (Laura Steenberge, Catherine Lamb ou Michael Pisaro), e, para desenjoar, entrega-se à interpretação de motetes medievais, a converter, sob obediência cageana, um livro de receitas culinárias numa peça musical de 40 minutos ou, em Phonetic Translations, a traduzir foneticamente “global kitsch music” para poesia surreal/dadaísta em inglês.



Como, há dois anos, contava à Bomb Magazine “cresci a ouvir música pop e a estudar piano clássico. Quando entrei na Universidade do Michigan para estudar composição, interessei-me por Ligeti mas, igualmente, por John Adams. Pode imaginar-se a confusão que era compor música inspirada por ambos, simultaneamente...” A depuração de toda esta cornucópia estética, enriquecida ainda pela curiosidade em relação à "musique concrète" e à electrónica, segundo uma fórmula não demasiado distante da proposta por Laurie Anderson, estaria na base dos seus três primeiros álbuns. Have You In My Wilderness, recém-editado, é, provavelmente, um perfeitíssimo ponto de chegada nesse percurso: dez canções de recorte tradicional, densamente orquestradas, caleidoscopicamente corais e, aqui e ali, ainda desejavelmente parasitadas por dissonâncias e inflexões jazzy, de que a avassaladora "Silhouette" e, sobretudo, "Vasquez" (sobre o bandido/herói chicano do século XIX, Tiburcio Vasquez), são os supremos exemplos.
Palhacitos eleitorais (XVI)

Porque complicam o que é tão simples? Até dia 4, ninguém paga,
dia 5, logo se vê
Tom Waits on Everything and Nothing


Um sinónimo para "latrina", sff (II)

Um sinónimo para "latrina", sff (I)

27 September 2015

Radicais livres (XXII)



"YoMango es una práctica sociopolitica de reapropiación de los bienes y productos de consumo masivo, puestos en circulación en el mercado por las compañías multinacionales, para su resignificación como bienes comunitarios; dicho en otras palabras, un comando de rescate de productos, rehenes de la seguridad del intercambio mercantil, para su inserción en usos colectivos" (aqui também)

Uma cavalona boazuda
(PPC revela fetiche)
Be afraid, be very afraid! 
(uma perturbante série)






(palhacitos eleitorais XII)
E eles a darem-lhe...

25 September 2015

Palhacitos eleitorais (X)

Ainda mal as aulas começaram e já a indisciplina na escola é um terrível flagelo: enquanto o stôr, compenetradamente, fala à turma...


... lá atrás, os fedelhos javardolas (o Che do cabelinho à foda-se e o Florimelo) mandam bocas e abardinam!...





LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (XXVI)

(com a indispensável colaboração do R & R)

(clicar na imagem para ampliar; mais aqui)


Palhacitos eleitorais (IX)




"Este abdómen rural-proletário 'old school' é o meu orgulho!...!"
"¿Cree que se puede ser un buen científico y creer en Dios?

Stephen Hawking - Utilizo la palabra 'Dios' en un sentido impersonal, igual que hacía Einstein, para referirme a las leyes de la naturaleza.

Usted ha dicho que no hace falta Dios para explicar el Universo tal como es. ¿Piensa que algún día los seres humanos abandonarán la religión y a Dios?

SH - Las leyes de la ciencia bastan para explicar el origen del Universo. No es necesario invocar a Dios" (daqui)

24 September 2015

ESCÂNDALO!


The Tweet Of God (XII)


"Wrong. I'm not married. I'm a single Dad"
 
... entretanto, a versão "Alá" revela falha grave nos superpoderes...
E, agora, as coisas realmente importantes:


9/11


Em treze anos, nunca tinha acontecido: na sexta-feira de há duas semanas, a primeira página do “New York Times” não incluía uma única referência aos atentados terroristas de 11 de Setembro de 2001. Inevitavelmente, o jornal detentor de 117 prémios Pulitzer e que, no cabeçalho, ostenta o lema “All the news that's fit to print” (Phil Ochs intitularia o seu álbum de estreia, em 1964, All The News That’s Fit To Sing), foi, de imediato, acusado pela direita republicana de, por omissão, ofender a memória das vítimas do dia em que a história do século XXI começou. Observando a efeméride sob ângulo diferente, o precioso blog “Dangerous Minds” optou por recordar a lista de 165 canções que o Clear Channel (hoje, iHeartMedia, Inc., proprietário da maior rede norte-americana de rádio), pouco depois do 9/11, recomendou – não terá sido, realmente, censura – que os DJ das suas 1200 estações fizessem o favor de esquecer por uns tempos.

Leonard Cohen - "On That Day"

Relida hoje, se há exemplos de alusões obviamente sensíveis na atmosfera tensa desses dias – é o caso, entre muitas, das sete dos AC/DC (indiscutíveis “vencedores” em número de temas proscritos), de "It's the End of the World as We Know It (And I Feel Fine)", dos R.E.M., e "Sunday, Bloody Sunday", dos U2 (apesar de 11.09.2001 ter sido uma terça-feira) – outras há que fazem recordar a incineração pela ditadura de Pinochet de textos sobre arte cubista, coisa evidentemente oriunda... de Cuba: "Ruby Tuesday", dos Stones (escrita sobre uma "groupie" da banda), "We Gotta Get Out Of This Place", dos Animals (puro espécime de neo-realismo rock’n’roll), "Walk Like an Egyptian", das Bangles (exercício de ironia acerca do andar desequilibrado dos passageiros de um "ferry"), ou "Ob-La-Di, Ob-La-Da", dos Beatles (???). Francamente inexplicável, porém, é "Burning Down The House", dos Talking Heads, ter sido excluída mas a bem mais explícita "Listening Wind", também dos Heads (“Mojique buys equipment in the market place, Mojique plants devices in the free trade zone, he feels the wind is lifting up his people, he calls the wind to guide him on his mission”), e, sobretudo, a arrepiante "Oh Superman", de Laurie Anderson (“Here come the planes, they're american planes, made in America. (…) Neither snow nor gloom of night shall stay these couriers from the swift completion of their appointed rounds”), haverem conseguido furtar-se aos radares.

23 September 2015

LIMPAR O PÓ AOS ARQUIVOS (XXV)

(com a indispensável colaboração do R & R)

(clicar na imagem para ampliar)

O CEO da Vaticano S.A., que, apesar de não ser de esquerda, é muito bonzinho, já está nos EUA para canonizar um velho traste, antigo funcionário da multinacional de Roma

VINTAGE (CCLXVII)

The Animals - "We Gotta Get Out Of This Place "

Um CEO da Vaticano S.A.... "de esquerda"?  Mas onde é que tal, alguma vez, poderia existir?

22 September 2015


Palhacitos eleitorais (VIII)



(fotos "Público")
Radicais livres (XXI)

Tiburcio Vasquez



... prestar sempre atenção à escola poética de Belém...

("i")

... e Marimba
 

21 September 2015

Julia Holter - "Goddess Eyes I & II"



"So why is the centre-left by and large not benefiting from the failures of their political opponents? The deep reason lies in its absorption of the policies of the centre-right, going back almost three decades: the acceptance of free trade agreements, the deregulation of everything, and (in the eurozone) of binding fiscal rules and the most extreme version of central bank independence on earth. They are all but indistinguishable from their opponents" (do radical de esquerda "Financial Times" via VB)
Portugal numa casca de noz (XXXVI)

... e, investindo decididamente na criação de postos de trabalho, há que pensar numa Unidade de Missão para a Valorização do Mar, uma Unidade de Missão para a Valorização das Regiões Autónomas, uma Unidade de Missão para a Valorização dos Sistemas Montanhosos, uma Unidade de Missão para a Valorização das Praias e, naturalmente, uma Comissão Coordenadora das Unidades de Missão Valorizadoras
Palhacitos eleitorais (VII)

The king of comedy

20 September 2015

Julia Holter - "Phonetic Translations"


"I re-composed sound for these found videos, mostly working by way of 'phonetic translations' (translating the sounds of the Russian words into English). I performed music with this video as a part of The Series at the Standard Hotel in downtown LA, March 8, 2011. This was my first time 'translating' with video, which appealed to me because of the challenge (and awkwardness) of 'syncing up' with another's lips and, occasionally, another's gestures. These and other translations are a part of my 2011 Translations project with Human Ear Music"
VINTAGE (CCLXVI)

Cocteau Twins - "Crushed"

É de recordar, a propósito, o transcendental encontro entre D. Gonçalo Nuno Ary Portocarrero de Almada, 4.º visconde de Macieira, sacerdote secular da prelatura do Opus Dei, vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família, Cerimoniário Eclesiástico da Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro de Jerusalém e Capelão Magistral da Assembleia Portuguesa da Ordem Soberana Militar de Malta, e a cristã-nova, Seabra, frequentemente vista em igualmente óptimas companhias

Finalmente batido um record com mais de 2000 anos!


... a serpente já tem um belo CV

19 September 2015

Palhacitos eleitorais (VI)


"Fixe!... dildos biológicos!" (fotos "Público")
Sim, a "despudorada gravidez", matéria de "fotografias brutais, em poses que até aos mais insensíveis incomodam", essa obscena prova indesmentível de que houve badalhoquice entre macho e fêmea!

18 September 2015

Confirma-se que o Meatloaf, apesar de amnésico, não só não é liberal como defende uma forte intervenção do Estado (especial atenção para o precioso momento-o-país-dos-zezés: "fez questão de se vangloriar num café da praça local"; + recordar o fake-Grancho)
É, pois, perfeitamente legítimo afirmar-se e repetir, uma e outra vez, que "Formação profissional sem impacto lembra logo a Tecnoforma, do senhor primeiro-ministro e do antecessor [de Poiares Maduro] na pasta, Miguel Relvas. A Tecnoforma nunca deu formação profissional. Existiram muitas empresas 'fake', que apenas queriam sacar fundos"
Palhacitos eleitorais (V)

17 September 2015

Uma breve história da prova definitiva de como os CEO da Vaticano S.A. desconfiam seriamente da omnipotência do Grande Fantasma Cósmico

Radicais livres (XX)

Novos contributos sobre o clássico do détournement (XI)

Não ouvi mas, em síntese
foi, de certeza, assim: 

As duas equipas entraram em campo motivadas e com elevados níveis de confiança; 

O tempo de posse de bola foi equilibrado e os automatismos trabalhados nos treinos da passada semana mais evidentes; 

Predominou uma abordagem mais física ao jogo em detrimento da técnica, chegando, por vezes, a pisar-se o risco da violência; 

Ambas os onzes se empenharam em cortar as linhas de passe do adversário, o que teve como consequência uma disputa travada essencialmente no meio campo, com demasiadas jogadas para o lado e para trás;

Solidez defensiva e inoperância atacante para ambos os lados; 

A equipa derrotada alegará que o resultado foi manifestamente injusto uma vez que teve muito mais oportunidades de golo, duas bolas à trave e o árbitro não viu um penálti claríssimo; 

A equipa vencedora declarará que dominou durante os 90 minutos e o resultado apenas peca por escasso.
A JOKE A DAY KEEPS THE DOCTOR AWAY (XXXIV)


Os óculos, os óculos!...

16 September 2015

RUÍNAS 


“Como se faz o alinhamento de um concerto dos Apartments? Aceitam-se algumas sugestões. Pega-se numa tesoura. A seguir, cortam-se cuidadosamente os títulos e colocam-se todos num saco. Agita-se delicadamente. Retiram-se, então, um após outro. Copiam-se pela ordem em que saíram do saco. 'Et voilá', o alinhamento será a minha cara – um autor infinitamente original de encantadora sensibilidade, embora nem todos estejam de acordo (com pedido de desculpas a Tristan Tzara)”. É o género de post que é possível ler na conta de Facebook dos Apartments, isto é, de Peter Milton Walsh, que, algures, perante comentários de que nunca publica nada pessoal, responde “O que poderia ser mais pessoal do que uma canção?”, mas, cedendo, “vira uma página” e coloca uma fotografia do cão, Teddy, “ouvindo-me ler as críticas a No Song, No Spell, No Madrigal e a lista de datas da digressão francesa dos Apartments”. A primeira das quais será a 19 de Setembro, “em Saint-Lô, a ‘Capital das Ruínas’, como lhe chamou Beckett. Não é coincidência”.



Não é mesmo. Se o texto de Samuel Beckett lidava com a “humanidade em ruínas” que avistou na cidade da Normandia, arrasada pelos bombardeamentos da segunda guerra mundial, não é despropositado dizer que todas as canções de Peter Milton Walsh são o muito pouco que conseguiu salvar dos escombros da sua demasiado humana individualidade. Talvez por isso, em 37 anos, não tenha registado mais de oito álbuns e, à excepção de França e de meia dúzia de células clandestinas de admiradores dispersas pelo planeta, continue virtualmente inexistente. Em 2012, a meio de outra tournée francesa, aceitou o convite da Radio France para gravar sete canções, sessão de que, no Record Store Day do ano seguinte, a Talitres publicaria 449 cópias em vinil, rapidamente esgotadas. Acompanhado por Amanda Brown (ex-Go-Betweens), Nick Allum e Wayne Connolly, Seven Songs – "Things You'll Keep", "Thank You For Making Me Beg", "World of Liars", "On Every Corner", "Mr. Somewhere", "Everyday Will Be New" e "All You Wanted" – é, agora, reeditado em CD, pronto para, uma vez mais, nos fazer ajoelhar. Na contracapa, fotografada por Raymond Cauchetier nas filmagens de À Bout de Souffle, Jean Seberg, dá-nos o golpe de misericórdia.



Everything is a Remix

Alguém explique ao gebo que o Putin é russo mas não é comunista
(apesar de a folha de serviços do PC, na matéria, também não ser bonita de se ver)

Notícia com verdadeiro impacto

"A PT já foi uma das mais cobiçadas empresas portuguesas para trabalhar, mas hoje os quase 11 mil funcionários do grupo vivem com o coração nas mãos. (...) Há novos cortes a caminho e espera-se uma sangria depois das eleições legislativas de Outubro. Ganhe quem ganhar. (...) Houve uma espécie de compromisso entre o empresário e o governo para que não se hostilizasse os trabalhadores e as estruturas sindicais antes das eleições" (Revista E/"Expresso" 12.09.2015)

15 September 2015

Depois não digam que 
não foram avisados (XV)

(sequência daqui)